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Após susto em empresa no Paraná, onça-pintada viaja a refúgio para formar casal

Após susto em empresa no Paraná, onça-pintada viaja a refúgio para formar casal
1 de 3 Onça-pintada foi transferida de Cascavel a Foz do Iguaçu nesta quarta-feira (9). — Foto: Prefeitura de Cascavel

Uma onça-pintada que protagonizou uma cena inusitada ao invadir uma empresa em Mandaguari, no Norte do Paraná, e foi capturada após uma intensa força-tarefa, agora tem um novo lar. O felino, um macho de aproximadamente seis anos, foi transferido para o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu, no Oeste do estado, marcando um importante passo em sua jornada e para a conservação da espécie.

A transferência, realizada nesta quarta-feira (9), representa uma nova fase para o animal, que estava sob os cuidados do zoológico de Cascavel desde sua captura. No refúgio, a onça-pintada terá condições adequadas de manejo e será avaliada para um eventual pareamento com uma fêmea, com o objetivo de contribuir para a reprodução e a preservação da espécie, que é considerada vulnerável.

A Inusitada Aparição em Mandaguari

A história da onça-pintada começou a ganhar destaque nos dias 11 e 12 de maio, quando o animal foi flagrado por câmeras de segurança dentro de uma empresa de fertilizantes em Mandaguari. As imagens rapidamente viralizaram, mostrando o felino em um comportamento surpreendentemente tranquilo e até brincalhão. Em um dos registros, a onça-pintada se deitou em frente a uma porta de vidro, virou a barriga para cima e chegou a passar a pata no próprio reflexo, como se estivesse interagindo com ele.

O biólogo Roberto Fusco, coordenador do Programa Grandes Mamíferos da Serra do Mar, confirmou ao g1 na época que se tratava do mesmo animal nos dois registros, identificando-o pelo padrão único de suas manchas. A aparição de uma onça-pintada no Norte do Paraná é um evento raro, dada a exigência da espécie por habitats específicos e a fragmentação de seu território natural na região.

A Complexa Operação de Captura

Após dias de monitoramento e buscas, a onça-pintada foi finalmente capturada em 2 de julho, ainda na cidade de Mandaguari. A operação de resgate envolveu uma força-tarefa conjunta de profissionais e foi cuidadosamente planejada para garantir a segurança do animal e das equipes. A captura foi realizada por meio de uma armadilha específica, montada e monitorada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Água e Terra (IAT).

Um comunicado oficial da equipe responsável pela captura informou que, após a contenção, a onça-pintada passou por uma avaliação veterinária completa e permaneceu sob acompanhamento técnico especializado. Este cuidado inicial foi crucial para garantir a saúde e o bem-estar do animal antes de sua transferência para um ambiente mais adequado.

Novo Lar e a Esperança da Conservação

O destino final do felino é o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), um centro de conservação da biodiversidade mantido pela Itaipu Binacional em Foz do Iguaçu. O RBV é reconhecido por seu trabalho na proteção de espécies ameaçadas e na reabilitação de animais silvestres. A escolha do local não é aleatória; ele oferece um ambiente controlado e especializado, essencial para a adaptação e o desenvolvimento da onça-pintada.

A expectativa é que o macho possa se adaptar bem ao novo ambiente e, futuramente, participar de programas de reprodução em cativeiro. A possibilidade de um “pareamento com uma fêmea” é vista como uma oportunidade valiosa para fortalecer a população de onças-pintadas, uma espécie emblemática da fauna brasileira e que enfrenta desafios significativos para sua sobrevivência na natureza.

O Contexto da Espécie no Paraná

A presença da onça-pintada em Mandaguari levantou questões importantes sobre a distribuição e o estado de conservação da espécie no Paraná. O biólogo Roberto Fusco ressaltou que a população de onças-pintadas no estado está concentrada principalmente em áreas protegidas, como o Parque Nacional do Iguaçu e a Serra do Mar. A aparição em uma região mais ao norte sugere que o animal pode ter se dispersado de seu habitat original, possivelmente em busca de alimento ou território.

A dispersão de grandes felinos é um fenômeno natural, mas pode indicar pressões sobre seus habitats, como desmatamento e expansão agrícola, que fragmentam corredores ecológicos e forçam os animais a se aventurarem em áreas urbanas ou rurais. Este episódio serve como um lembrete da importância de preservar os ecossistemas e garantir a conectividade entre as áreas naturais para a sobrevivência da vida selvagem.

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