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Onda de Calor no Brasil: Estudo Revela 120 Mil Mortes Associadas em Duas Décadas e Alerta para Riscos Crescentes

© Paulo Pinto/Agência Brasil

Um cenário alarmante sobre os impactos das ondas de calor na saúde pública brasileira foi revelado nesta quarta-feira (17) por um estudo abrangente, indicando que aproximadamente 120 mil mortes no Brasil, entre os anos 2000 e 2019, estiveram diretamente associadas a esses eventos climáticos extremos. Essa cifra representa uma parcela significativa da mortalidade total registrada no período, excluindo óbitos por causas externas, e acende um alerta urgente sobre a vulnerabilidade do país às mudanças climáticas.

A pesquisa, conduzida por renomados especialistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com apoio de programas interministeriais e de cooperação internacional, não se limitou apenas aos óbitos. Ela também identificou um aumento consistente no risco de internações hospitalares por doenças respiratórias, renais e gastrointestinais em períodos de temperaturas elevadas, reforçando a complexidade do problema e sua ampla repercussão na saúde da população.

Um Diagnóstico Nacional Detalhado

O estudo, intitulado “Saúde e ondas de calor no Brasil: evidências sobre mortalidade, morbidade hospitalar e implicações para o SUS”, destaca-se por sua capacidade de oferecer um diagnóstico quase completo do território nacional. A análise abrangeu 5.566 municípios brasileiros, evidenciando que os efeitos do calor extremo são observados em todas as regiões, com particularidades em cada uma.

Beatriz Oliveira, pesquisadora da Fiocruz, ressalta a inovação metodológica do trabalho. “A inovação deste estudo está em integrar, em escala nacional, a caracterização das ondas de calor, considerando frequência, intensidade e duração, com uma análise detalhada de seus impactos sobre internações hospitalares e mortalidade”, explica. Essa abordagem integrada é crucial para compreender a dimensão real do desafio e para subsidiar a criação de políticas públicas mais eficazes e direcionadas.

Os Impactos Diretos na Saúde Pública

A pesquisa detalha como as ondas de calor influenciam diferentes desfechos de saúde. O aumento no risco de internações por doenças respiratórias, como pneumonia, e por enfermidades geniturinárias, incluindo insuficiência renal, foi percebido de forma consistente em praticamente todas as regiões do país. Esses dados sublinham a pressão crescente sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) durante os picos de calor.

Vulnerabilidade por Faixa Etária e Condição Social

A vulnerabilidade aos efeitos do calor extremo não é homogênea. Entre as crianças com menos de 10 anos, as gastroenterites surgiram como a causa de internação mais fortemente associada aos episódios de altas temperaturas. Os pesquisadores apontam que essa vulnerabilidade se deve à maior propensão à desidratação em crianças e às alterações ambientais que podem comprometer a qualidade da água e a conservação de alimentos, especialmente em locais com infraestrutura precária.

A população com mais de 60 anos também demonstra elevada sensibilidade. O levantamento identificou um risco acentuado para doenças respiratórias, renais e metabólicas, como o diabetes. Além disso, o estudo sugere que eventos cardiovasculares em idosos, durante ondas de calor, podem evoluir rapidamente para quadros graves, resultando em óbitos antes mesmo da hospitalização, um fator que pode subestimar ainda mais a real dimensão do problema.

No contexto da mortalidade, foi identificado um claro gradiente social de risco. Sávio Raeder, supervisor de Impactos, Vulnerabilidades e Adaptação do projeto Ciência&Clima, aponta que houve um maior aumento percentual do risco de morte entre pessoas com menor escolaridade. “Esses resultados reforçam a necessidade de direcionar ações de adaptação e proteção aos grupos mais vulneráveis”, afirma Raeder, destacando a intersecção entre vulnerabilidade socioeconômica e climática.

A Ameaça Crescente: Ondas de Calor Mais Frequentes e Intensas

A pesquisa também analisou a evolução das ondas de calor no Brasil. Entre 2000 e 2019, a maioria dos municípios brasileiros registrou um aumento tanto na frequência quanto na intensidade desses eventos. As regiões Norte e Centro-Oeste foram as que experimentaram os episódios mais frequentes e duradouros, enquanto as ondas de calor com maior intensidade em relação às médias históricas foram observadas nas regiões Sul e Sudeste. Essa diversidade de manifestações exige respostas adaptadas às particularidades de cada localidade, levando em conta o perfil climático e demográfico.

O Chamado por Respostas e Políticas Públicas

Os resultados do estudo servem como um alerta severo para a saúde pública brasileira. Ismael Silveira, pesquisador da UFBA, enfatiza a urgência. “Uma importante implicação é o reconhecimento das ondas de calor como um risco importante para a saúde pública. Com isso, podemos chamar atenção para planos de contingência específicos, além de fortalecer a capacidade tanto de antecipação quanto de resposta do SUS”, diz ele.

Ainda que o Brasil seja um país de dimensões continentais e com grande diversidade climática, a constatação de que grande parte das cidades não possui planos de ação para enfrentar o calor extremo, como apontado por notícias relacionadas, reforça a urgência em transformar as evidências científicas em ações concretas. A necessidade de investimentos em infraestrutura de saúde, sistemas de alerta precoce e campanhas de conscientização é patente, assim como a implementação de estratégias de adaptação climática que contemplem as populações mais expostas e menos capacitadas a mitigar os riscos por conta própria.

Este cenário de crescente vulnerabilidade exige uma ação coordenada entre os diversos níveis de governo, a academia e a sociedade civil para proteger a saúde da população brasileira. Para continuar acompanhando de perto os desdobramentos dessa discussão crucial, além de outras notícias relevantes e contextualizadas que impactam a sua vida e a sua comunidade, mantenha-se conectado ao Guarapuava no Radar. Nosso compromisso é levar até você informação de qualidade, com profundidade e credibilidade, cobrindo os temas que realmente importam.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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