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Operação policial desarticula grupo de tráfico com estrutura empresarial no Paraná e Santa Catarina

Operação policial desarticula grupo de tráfico com estrutura empresarial no Paraná e Santa Catarina
1 de 1 Drogas, dinheiro em espécie e armas foram apreendidos — Foto: Polícia Civil do Paraná

A Polícia Civil do Paraná, em uma ação conjunta com forças de segurança de Santa Catarina, deflagrou nesta terça-feira (22) uma operação de grande porte que visou desarticular uma sofisticada organização criminosa. O grupo, que atuava no tráfico de drogas, comércio ilegal de armas de fogo – incluindo fuzis – e lavagem de dinheiro, chamou a atenção das autoridades pela sua estrutura de funcionamento, descrita como “ritmo empresarial”. A ação resultou na prisão de 12 indivíduos e na emissão de ordens de prisão para outros três foragidos, além de um vasto material apreendido.

As investigações revelaram um esquema complexo, onde a organização criminosa simulava uma empresa legítima, com direito a escalas de trabalho, dias de folga e o pagamento de salários fixos aos seus integrantes. Essa abordagem profissionalizada do crime demonstra a crescente sofisticação dos grupos que atuam no submundo, buscando maximizar lucros e eficiência em suas operações ilícitas. A operação policial, que se estendeu por diversas cidades nos dois estados, é um marco no combate a esse tipo de criminalidade organizada.

A Estrutura Criminosa com Rosto Empresarial

O que mais impressionou os investigadores foi a maneira como o grupo estruturava suas atividades. Longe de ser uma rede improvisada, a organização possuía uma hierarquia bem definida e um modelo de gestão que lembrava o de empresas formais. O líder, que estrategicamente residia no litoral de Santa Catarina para evitar flagrantes, comandava as operações à distância. Diariamente, ele definia, por meio de grupos de mensagens, as rotas de entrega, a clientela, os tipos de entorpecentes e os valores a serem cobrados, além de fornecer os veículos utilizados na distribuição.

Segundo o delegado Victor Loureiro Mattar Assad, a organização impulsionava seus “funcionários” a produzir e negociar cada vez mais drogas e armas. A esposa do líder também desempenhava um papel crucial, auxiliando na gestão dos motoristas responsáveis pelas entregas via delivery. Além disso, a estrutura contava com um “gerente” para o armazenamento das drogas, indivíduos encarregados do fracionamento e pesagem dos entorpecentes, e uma ampla rede de “revendedores finais”. A venda ocorria tanto por delivery, com entregas diretas aos usuários, quanto no atacado, abastecendo outros traficantes com drogas fracionadas ou em quilos.

O Alcance da Operação e as Apreensões

A operação desta terça-feira (22) mobilizou a Polícia Civil do Paraná para cumprir 15 ordens de prisão preventiva e 25 mandados de busca e apreensão. As ações foram realizadas em Curitiba, Colombo e Guaratuba, no Paraná, e nos municípios de Itapema e Itapoá, em Santa Catarina. Além das 12 prisões, os agentes apreenderam um arsenal significativo, incluindo fuzis, pistolas e diversas munições.

No que tange aos entorpecentes, foram encontrados grandes volumes de maconha, crack e cocaína. Parte dessas drogas já estava fracionada e embalada, pronta para a distribuição, evidenciando a escala da operação. As apreensões ocorreram em dois endereços distintos, revelando a capacidade logística do grupo. A polícia também efetuou o bloqueio de 15 contas bancárias, tanto de pessoas físicas quanto jurídicas, e a apreensão de diversos veículos, que eram utilizados para o transporte e a lavagem de dinheiro.

Lavagem de Dinheiro e a Fachada de Legalidade

Para dar uma aparência de legalidade aos lucros obtidos com as atividades ilícitas, a organização criminosa utilizava um engenhoso esquema de lavagem de dinheiro. Empresas de fachada, sem registro de funcionários, eram criadas para movimentar os valores. Uma dessas empresas era uma revenda de veículos, que recebia pagamentos via Pix, enquanto outra movimentou mais de R$ 2 milhões, conforme apurado pelas investigações.

A sofisticação do esquema ia além, com a aquisição de imóveis. Um deles, inclusive, tinha um contrato de locação vigente, simulado para conferir uma falsa legalidade ao patrimônio adquirido com o dinheiro do tráfico. Essa estratégia de mascarar os ganhos ilícitos por meio de negócios aparentemente legítimos é uma tática comum do crime organizado, mas que foi desvendada pela meticulosa investigação policial.

Os Antecedentes: A Prisão do Gerente e o Início da Investigação

As investigações que culminaram na operação desta terça-feira tiveram início em novembro de 2025. Naquela ocasião, um dos gerentes da organização criminosa foi preso pela Polícia Militar no bairro Vila Izabel, em Curitiba. Ele estava dirigindo um veículo com um fundo falso, contendo drogas e dinheiro, o que acendeu o alerta das autoridades.

A prisão do gerente levou a uma apreensão ainda maior em uma residência no bairro Mercês. Foram encontrados 36 quilos de maconha, 72 quilos de cocaína, porções de crack, metanfetamina, óleo de THC, comprimidos de ecstasy e LSD. Além das drogas, a polícia apreendeu um fuzil, munições de diversos calibres, 16 carregadores, balanças de precisão e cadernos com a contabilidade detalhada do tráfico. Esses materiais foram cruciais para desvendar a estrutura e o modus operandi do grupo, permitindo a operação que o desmantelou.

A desarticulação de um grupo criminoso com tamanha organização e capacidade de atuação, que se estendia por dois estados e utilizava métodos empresariais para suas atividades ilícitas, reforça a complexidade do combate ao crime organizado no Brasil. A Polícia Civil do Paraná e de Santa Catarina demonstram, com esta operação, o compromisso em enfrentar essas redes, protegendo a sociedade dos impactos devastadores do tráfico de drogas e armas. Para mais detalhes sobre a operação, você pode consultar a matéria original no G1.

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