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Pais viajam mais de 500 km e salvam filha mantida em cárcere privado no Paraná

Pais viajam mais de 500 km e salvam filha mantida em cárcere privado no Paraná
Foto: Guarda Municipal

Uma jovem de 19 anos foi resgatada de uma situação de cárcere privado em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, após quase duas semanas de isolamento e violência. O caso veio à tona quando os pais da vítima, residentes na cidade de São Paulo, perceberam inconsistências e um tom evasivo nas mensagens enviadas pela filha, decidindo empreender uma viagem de mais de 500 km para verificar a situação pessoalmente.

Após chegarem ao município paranaense e localizarem o endereço do namorado da jovem, os familiares acionaram uma equipe da Guarda Municipal que realizava patrulhamento preventivo. A entrada na residência revelou um cenário de violência extrema, culminando na prisão em flagrante do suspeito, que posteriormente teve a detenção convertida em preventiva.

Desconfiança familiar e a viagem de surpresa

As suspeitas da família começaram a se intensificar devido à mudança drástica na comunicação da jovem. Segundo relatos prestados à Polícia Civil, ela deixou de dar detalhes sobre a rotina e passou a evitar chamadas de vídeo em que pudesse mostrar o rosto, levantando o alerta de que outras pessoas estariam respondendo em seu lugar.

Movidos pela apreensão, os pais decidiram cruzar a divisa entre os estados para realizar uma visita inesperada. A rápida mobilização ao local permitiu que a Guarda Municipal interviesse de maneira imediata, encontrando a vítima debilitada e sob forte pressão psicológica dentro do apartamento do agressor.

Agressões físicas e controle do celular

No momento do resgate, a corporação constatou que a jovem apresentava diversos hematomas visíveis na face, na cabeça e nos braços. Em depoimento acompanhado por equipes de acolhimento, ela relatou que o confinamento durou aproximadamente duas semanas e foi motivado por uma crise de ciúmes do companheiro.

  • Agressões recorrentes com socos, tapas, chutes e golpes de cabo de vassoura.
  • Episódios de enforcamento e perda de consciência decorrentes de pancadas na cabeça.
  • Destruição do aparelho celular da vítima para impedir qualquer pedido de socorro.
  • Uso do chip da jovem em outro telefone para simular sua presença e enganar familiares.

A delegada Claudia Kruger destacou que o agressor justificava o cárcere com o receio de que as marcas evidentes das agressões pudessem ser notadas por terceiros, o que resultaria em denúncias formais. Por essa razão, ele isolou completamente a vítima e passou a redigir mensagens se passando por ela nas redes sociais e aplicativos de conversa.

Investigação e canais de denúncia

O suspeito, que também tem 19 anos, foi formalmente autuado pelos crimes de cárcere privado e lesão corporal no contexto de violência contra a mulher. A Polícia Civil prossegue com as diligências investigativas para esclarecer integralmente todas as circunstâncias que envolveram o caso na região.

Especialistas reforçam a importância de que a sociedade utilize os canais oficiais para relatar suspeitas de violência doméstica ou manter a segurança de pessoas em risco. Denúncias anônimas podem ser direcionadas à Polícia Civil por meio do telefone 197 ou pelo Disque-Denúncia 181, enquanto emergências em andamento exigem acionamento imediato da Polícia Militar pelo 190.

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