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Perda de fôlego ao subir escadas: alerta para a insuficiência cardíaca, que afeta milhões no Brasil

© Reuters/Direitos Reservados

A sensação de falta de ar após subir alguns lances de escada pode, para muitos, ser atribuída simplesmente à falta de condicionamento físico ou ao avanço da idade. No entanto, o que parece um incômodo corriqueiro pode, na verdade, ser um sintoma crucial de uma condição cardíaca grave: a insuficiência cardíaca. Em um esforço contínuo para conscientizar a população sobre essa doença que já afeta cerca de 1,7 milhão de brasileiros, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) dedica anualmente o Dia Nacional de Alerta contra a Insuficiência Cardíaca, destacando a importância da atenção aos sinais do corpo.

Frequentemente subestimada ou confundida com os efeitos naturais do envelhecimento e do sedentarismo, a insuficiência cardíaca é uma condição em que o coração perde sua capacidade de bombear sangue de forma eficiente para atender às necessidades do organismo. Seus sintomas iniciais são insidiosos e, por vezes, enganosos, o que retarda o diagnóstico e, consequentemente, o início do tratamento adequado.

Sintomas que demandam atenção imediata e o perigo da automedicação

Os sinais mais comuns da insuficiência cardíaca incluem a já mencionada dificuldade respiratória durante esforços físicos – como subir escadas, caminhar rapidamente ou realizar tarefas domésticas –, fadiga muscular persistente e inchaço, especialmente nas pernas e tornozelos, devido à retenção de líquidos. Essa tríade sintomática é a principal responsável pela confusão com outras condições menos graves, o que torna a consulta a um especialista ainda mais urgente. O cardiologista Marcus Simões, membro da SBC e coordenador da diretriz brasileira de insuficiência cardíaca, enfatiza a necessidade de buscar avaliação médica ao perceber esses sinais.

“Durante o esforço físico, o coração é mais requisitado. Quando você força a musculatura, ela tem que receber mais sangue, e aí o coração tem que bombear mais sangue. Então, é na hora do esforço que o coração usualmente demonstra que não está bem”, explica o médico. Essa maior demanda expõe as fragilidades do órgão, transformando atividades rotineiras em verdadeiros testes de resistência que o coração debilitado não consegue suportar adequadamente.

As raízes da doença: compreendendo suas causas e fatores de risco

A insuficiência cardíaca raramente surge de forma isolada; ela é, na maioria das vezes, uma consequência de outras doenças cardíacas ou sistêmicas preexistentes. Entre as causas mais frequentes, destacam-se as sequelas de um infarto, que danifica permanentemente parte do músculo cardíaco. Problemas nas válvulas do coração, que regulam o fluxo sanguíneo dentro do órgão, também podem levar à sua falha progressiva.

Além disso, doenças crônico-degenerativas, como o diabetes e a hipertensão arterial, desempenham um papel crucial. Sem controle adequado, essas condições lesionam lentamente o músculo do coração e os vasos sanguíneos ao longo do tempo, comprometendo sua estrutura e função. O Dr. Simões ressalta ainda a relevância de algumas doenças regionais no Brasil, como a doença de Chagas, que pode causar danos irreversíveis ao coração anos após a infecção inicial.

A incidência da insuficiência cardíaca não é uniforme na população; ela é mais frequente em idosos, devido ao desgaste natural do sistema cardiovascular, e em mulheres, que muitas vezes apresentam sintomas atípicos e podem ter o diagnóstico tardio.

O impacto no organismo: da descompensação ao risco de mortalidade

Quando o coração não consegue mais realizar seu trabalho de forma eficiente – recebendo e bombeando sangue para os tecidos do corpo –, uma série de complicações se instala. A incapacidade de irrigar adequadamente órgãos e músculos gera os sintomas de fadiga e falta de ar. A retenção de líquidos, por sua vez, é resultado da dificuldade do coração em processar e eliminar o excesso de fluidos, levando ao inchaço e, em casos mais graves, ao acúmulo de água nos pulmões, o que agrava a dispneia.

As consequências da insuficiência cardíaca são sérias e impactam drasticamente a qualidade de vida do paciente. “O paciente pode ter múltiplas internações hospitalares, porque ele descompensa e tem um risco de mortalidade de 30% a 50% ao longo de 5 anos”, alerta Marcus Simões. Esse dado alarmante sublinha a gravidade da doença e a necessidade premente de um manejo clínico rigoroso e contínuo.

Diagnóstico e tratamento: a importância da adesão e reabilitação

O diagnóstico da insuficiência cardíaca começa com um exame clínico detalhado, onde o médico avalia os sintomas, o histórico do paciente e realiza uma ausculta cardíaca. A confirmação e diferenciação de outras patologias são feitas por meio de exames complementares simples, mas eficazes, como o raio-x de tórax, o ecocardiograma (ultrassom do coração) e exames de sangue que medem biomarcadores específicos.

Uma vez diagnosticada, a insuficiência cardíaca pode ser controlada por meio de tratamento medicamentoso. O Sistema Único de Saúde (SUS) desempenha um papel fundamental na distribuição dos principais fármacos necessários, garantindo o acesso a milhões de brasileiros. No entanto, o sucesso do tratamento depende crucialmente da adesão do paciente. A SBC estima que cerca de um quarto dos casos de descompensação – a piora abrupta do quadro, que exige internação – ocorre pela interrupção do tratamento. Outros fatores que podem precipitar uma crise incluem infecções, arritmias, descontrole da hipertensão, novos infartos e miocardite.

Além da medicação, a reabilitação física é uma medida essencial para o controle da doença e a melhoria da qualidade de vida. “Tanto o coração quanto a musculatura esquelética precisam de atividade física”, explica o cardiologista. A reabilitação busca aliviar sintomas, fortalecer o sistema cardiovascular e tratar a doença de base que levou à insuficiência, permitindo que o paciente realize exercícios graduados e progressivos para reassumir suas atividades cotidianas com mais autonomia e bem-estar.

Novas diretrizes e o futuro do tratamento no Brasil

A busca por tratamentos cada vez mais eficazes e pela melhoria da prática clínica é constante. Em outubro, a Sociedade Brasileira de Cardiologia lançará a nova diretriz brasileira para o tratamento da insuficiência cardíaca. Este documento, que será apresentado durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia no Rio de Janeiro, reunirá as evidências científicas mais atuais e servirá como um guia fundamental para os médicos em todo o país, padronizando e otimizando o cuidado aos pacientes.

A insuficiência cardíaca é uma doença séria, com impacto profundo na saúde pública brasileira. Contudo, com informação clara, diagnóstico precoce e tratamento adequado, é possível controlar a condição e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos afetados. Ficar atento aos sinais do corpo, especialmente à perda de fôlego em atividades simples como subir escadas, é o primeiro e mais importante passo para um coração saudável. Mantenha-se informado e cuide da sua saúde. Para mais notícias relevantes, atualizadas e contextualizadas sobre saúde e muitos outros temas, continue acompanhando o Guarapuava no Radar, seu portal de informação comprometido com o bem-estar da comunidade.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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