Proposta de revisão no financiamento cultural
Durante sua passagem pelo Paraná nesta quarta-feira (16), o candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), apresentou uma plataforma focada na reestruturação do uso de recursos públicos em eventos culturais. Em coletiva realizada em Londrina, o postulante ao cargo defendeu o fim do financiamento estatal para o que classificou como “super shows” com cachês milionários. Segundo o candidato, esses eventos não agregam valor efetivo à identidade nacional.
A estratégia proposta por Renan Santos visa redirecionar o orçamento para projetos que valorizem manifestações regionais e a cultura local. De acordo com o representante do partido Missão, a manutenção de grupos artísticos, oficinas e expressões tradicionais deve ser sustentada por leis de incentivo, garantindo que o recurso chegue à ponta e fortaleça a proximidade com a população, em vez de concentrar verbas em grandes espetáculos de entretenimento.
Modelo de exportação e o lifestyle brasileiro
Além da política interna, o candidato traçou um paralelo com o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul para defender uma nova visão sobre a marca Brasil no exterior. A ideia central é que o país não deve se limitar à exportação de commodities, como o café, mas sim promover o chamado “lifestyle” brasileiro. Para Renan Santos, o Brasil precisa criar uma cadeia completa, transformando a imagem cultural do país em um ativo de exportação, similar ao fenômeno global dos doramas e da indústria cultural coreana.
O candidato argumentou que o Brasil possui potencial para ser competitivo globalmente se acelerar a promoção de suas marcas. “Como é que pode o Brasil ser o maior produtor mundial de café e não ter uma marca internacional de café ligada ao Brasil?”, questionou, defendendo a criação de uma cadeia produtiva que conecte o produto final ao universo cultural brasileiro para gerar maior lucratividade e escala.
Reformas no Judiciário e críticas políticas
A agenda de Renan Santos no Paraná, que incluiu passagens por Maringá e Cascavel, também foi marcada por críticas contundentes ao sistema judiciário. O candidato defendeu reformas profundas, incluindo o fim das decisões monocráticas no Supremo Tribunal Federal (STF) e a proibição de escritórios de advocacia ligados a ministros da corte. Ele também prometeu atuar contra o foro privilegiado, argumentando que o STF não deve exercer controle sobre o parlamento.
Em Maringá, o tom foi de confronto direto com o ex-juiz Sergio Moro, candidato ao governo do Paraná pelo PL. Renan Santos classificou o ex-magistrado como uma “grande decepção” e afirmou que ele não seria um “líder digno” devido à sua aliança com Flávio Bolsonaro. Segundo o candidato do Missão, essa aproximação política teria contribuído para o enfraquecimento da Operação Lava Jato, pauta que historicamente esteve ligada à imagem de Moro.
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