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Ponta Grossa: Justiça condena dois homens por brutal execução de mãe e filha

G1

Em um desfecho que ecoa a violência urbana e a complexidade da criminalidade ligada ao tráfico de drogas, o Tribunal do Júri de Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, proferiu sentença contra Daniel de Andrade Chimeski e Alisson Andrey Silva Nogueira. Cada um foi condenado a 37 anos e 6 meses de prisão pelo assassinato cruel de Delamar do Rocio Correia dos Santos, de 45 anos, e sua filha, Kauane Damaris Santos Antunes, de 26. O crime, que chocou a comunidade local, ocorreu na madrugada de 21 de janeiro, quando mãe e filha foram executadas a tiros dentro de sua própria residência.

A decisão, anunciada após sessões de julgamento marcadas pela análise aprofundada das provas e depoimentos, reflete a seriedade com que o Poder Judiciário tem tratado casos de tamanha brutalidade. As condenações por duplo homicídio qualificado, com o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, sublinham a gravidade do método empregado pelos agressores e a intencionalidade da ação.

Um Crime com Marcas da Violência Organizada

Ainda que as motivações exatas para o duplo homicídio não tenham sido totalmente elucidadas nos detalhes públicos, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) apontou que o crime se deu em um contexto de disputa por território relacionado ao tráfico de entorpecentes. Segundo as investigações, os denunciados invadiram a residência das vítimas durante a madrugada e efetuaram diversos disparos de arma de fogo, configurando uma ação premeditada e impiedosa.

As vítimas, Delamar e Kauane, foram alvejadas na cabeça, um detalhe que ressalta a intenção de matar e a brutalidade dos algozes. O crime ocorreu na região conhecida como Los Angeles, dentro do bairro Boa Vista – uma área que, infelizmente, já carrega estigmas sociais e desafios relacionados à segurança pública, frequentemente associados a dinâmicas do crime organizado e do tráfico de drogas. A presença de 97 gramas de uma substância análoga ao crack encontrada no quarto das vítimas durante a perícia, somada aos antecedentes criminais de mãe e filha por tráfico de drogas, reforça a tese do MP e lança luz sobre a perigosa intersecção entre o uso e comércio de entorpecentes e a escalada da violência urbana.

Investigação Detalhada e Captura dos Acusados

A resposta das forças de segurança foi rápida e decisiva. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que, alarmados por gritos e disparos, relataram ter visto um homem nas proximidades da casa no horário do crime. A cena encontrada pelos policiais era desoladora: a porta lateral da residência estava aberta e, após tentativas sem sucesso de contato, a equipe realizou a entrada tática, encontrando as duas mulheres sem vida, uma no quarto e outra no banheiro.

As diligências iniciaram imediatamente. Horas após o assassinato, a PM localizou um homem que fazia uso de tornozeleira eletrônica. Com autorização judicial para acessar o GPS do equipamento, foi possível confirmar sua presença no local e horário do crime, levando à prisão preventiva do primeiro suspeito. O segundo envolvido, Alisson Andrey Silva Nogueira, foi localizado e detido cerca de três semanas depois, fruto de um trabalho contínuo de investigação que culminou nas acusações e, agora, nas condenações. Ambos estavam presos desde a época dos assassinatos e permanecerão detidos em regime fechado para cumprimento da pena.

Recursos e o Futuro Processual

Apesar da condenação em primeira instância, o caso está longe de um ponto final. As defesas de Daniel de Andrade Chimeski e Alisson Andrey Silva Nogueira já anunciaram que irão recorrer da decisão. A defesa de Alisson destacou que a condenação foi por uma margem apertada, 4 votos a 3, o que aponta para um debate intenso entre os jurados e possíveis argumentos para reexame em instâncias superiores.

Em nota, a defesa de Daniel, embora respeite a decisão proferida pelo Conselho de Sentença, afirmou não concordar com o resultado alcançado. A defesa argumenta que a tese apresentada em plenário encontrou respaldo entre parte dos jurados, indicando a existência de fundamentos jurídicos relevantes que merecem reanálise. O recurso será interposto com base na Constituição Federal, na legislação processual penal e nas garantias de ampla defesa e devido processo legal, buscando uma nova apreciação do caso pelo Tribunal. Este movimento é comum em processos criminais complexos, garantindo aos réus o direito a múltiplas análises de seus casos.

Impacto na Comunidade e o Combate à Violência

A condenação dos responsáveis por este crime hediondo representa um passo importante na busca por justiça e pode enviar uma mensagem clara sobre a não impunidade em Ponta Grossa. No entanto, o episódio também acende um alerta sobre a persistência da violência associada ao tráfico de drogas, um problema que transcende fronteiras e afeta diversas cidades brasileiras, incluindo Guarapuava e outras localidades dos Campos Gerais e do Paraná. A segurança pública continua sendo um desafio primordial, exigindo ação integrada das autoridades e engajamento da sociedade civil para desmantelar redes criminosas e proteger os cidadãos.

Crimes como a execução de Delamar e Kauane expõem a brutalidade com que os conflitos do submundo do crime podem irromper na vida cotidiana, afetando não apenas os diretamente envolvidos, mas toda a comunidade que testemunha tais atos de violência. A repercussão do caso nas redes sociais e nos meios de comunicação locais demonstra o clamor por justiça e por um ambiente mais seguro para todos os cidadãos, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes no combate à criminalidade e na promoção da paz social.

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Fonte: https://g1.globo.com

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