O desaparecimento das primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos, completa 21 dias e se transformou em uma investigação de duplo homicídio que mobiliza a Polícia Civil do Paraná. Vistas pela última vez na madrugada de 21 de abril, em uma boate na cidade de Paranavaí, no noroeste do estado, as jovens são o centro de um complexo trabalho policial que busca desvendar os últimos passos delas e de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, o principal suspeito, atualmente foragido.
A transição do caso de 'desaparecimento' para 'duplo homicídio', sob a condução do delegado Luiz Fernando Alves Silva, reflete a gravidade dos indícios apurados. A investigação intensiva tem se apoiado na reconstrução minuciosa de uma linha do tempo, que combina registros de câmeras de segurança, dados de conexões de internet e depoimentos, na tentativa de preencher as lacunas e trazer clareza para a angústia de duas famílias que aguardam por respostas.
A Cronologia de uma Noite Inquietante
A meticulosa linha do tempo elaborada pela Polícia Civil começa na noite de 20 de abril, detalhando os movimentos das primas e do suspeito. A sequência de eventos desenha um cenário preocupante que culminou no sumiço das jovens:
<b>20 de abril, 22h39:</b> As primas Letycia e Sttela são filmadas saindo de Cianorte – cidade onde Letycia residia – em uma caminhonete dirigida por Clayton Antonio da Silva Cruz. Letycia conhecia o homem pelo nome de 'Davi'. Este momento marca a última conexão de Letycia à internet, um detalhe crucial para a investigação, uma vez que a jovem não possuía pacote de dados móveis.
<b>20 de abril, 22h54:</b> A mesma caminhonete é vista por câmeras de segurança entrando em Jussara, onde Sttela morava com a mãe. A parada foi para que a jovem pegasse uma mochila em sua residência, que estava vazia no momento.
<b>20 de abril, 22h55:</b> Sttela faz uma publicação em suas redes sociais, marcando Letycia. A imagem, feita de dentro da caminhonete, mostra a presença de uma garrafa de uísque e indica música no ambiente. A legenda enigmática, 'Qual será o nosso destino KKKK', ganha um tom sinistro à luz dos acontecimentos posteriores.
<b>20 de abril, 23h13:</b> O trio deixa Jussara e segue viagem rumo a Maringá, utilizando a rodovia PR-323, rota que levava as jovens e o suspeito para um destino ainda incerto naquela noite.
<b>21 de abril, 00h16:</b> Sttela faz sua última publicação conhecida, registrada no trevo entre as cidades de Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton Antonio da Silva Cruz aparece na imagem, mas apenas o perfil de Letycia é mencionado na postagem, indicando uma interação específica entre as primas.
<b>21 de abril, 01h10:</b> O grupo – Sttela, Letycia e Clayton – é filmado por câmeras de segurança em uma boate de Paranavaí. Imagens de segurança posteriormente divulgadas mostram a entrada e a presença das jovens no interior do estabelecimento, confirmando este como o último local onde foram vistas juntas com o suspeito.
<b>21 de abril, 03h17:</b> Esta é a última vez em que Sttela se conecta à internet. A informação, obtida através de um pedido emergencial de quebra de sigilo do WhatsApp, é um dos pontos finais no rastro digital das jovens, reforçando a urgência da investigação.
O Sumiço do Suspeito e os Desdobramentos da Investigação
Após a madrugada de 21 de abril, o rastro das primas se perde. A investigação, no entanto, consegue seguir os passos de Clayton Antonio da Silva Cruz por mais alguns dias, revelando um comportamento que levantou fortes suspeitas:
<b>Entre 22 e 23 de abril:</b> Clayton retorna sozinho a Cianorte. Um detalhe crucial é que ele o faz sem a caminhonete utilizada anteriormente e, posteriormente, deixa a cidade novamente em uma motocicleta e sem seu aparelho celular, dificultando seu rastreamento.
<b>23 de abril, 09h:</b> É registrada a última conexão de Clayton à internet, consolidando o período de seu desaparecimento virtual e físico.
<b>24 de abril:</b> A polícia descobre registros que indicam a passagem de Clayton por Maringá, mostrando a amplitude de seu deslocamento após o sumiço das primas.
<b>29 de abril:</b> Diante das evidências, é expedido um mandado de prisão preventiva contra Clayton Antonio da Silva Cruz, pelos crimes de roubo e homicídio. Desde então, ele é considerado foragido, e a busca por seu paradeiro se intensificou, com as autoridades divulgando suas imagens e pedindo a colaboração da população.
Antecedentes do Suspeito e a Angústia Familiar
A ficha criminal de Clayton Antonio da Silva Cruz, que se apresentava como 'Davi' em Cianorte e também era conhecido pelos apelidos de 'Sagaz' e 'Dog Dog', revela que ele já possuía um mandado de prisão em aberto por um roubo cometido em Apucarana, em 2023. A caminhonete que ele dirigia com as primas foi identificada como 'clonada', indicando uma série de ilegalidades que complicam ainda mais o quadro. Frequentador assíduo de festas e baladas em Cianorte, a vida pregressa do suspeito se torna um elemento importante na compreensão dos fatos.
Enquanto a polícia persegue pistas, a família de Sttela e Letycia vive a dolorosa espera. A mãe de Sttela, ao tentar contato com a filha no dia 21 de abril sem sucesso, percebeu que algo estava errado, pois a jovem sempre mantinha a família informada sobre seus passos. Essa quebra de rotina, aliada à ausência de notícias e postagens, acendeu o alerta que se transformou em uma corrida contra o tempo.
A Importância do Contexto e da Colaboração
O caso das primas Letycia e Sttela lança luz sobre a vulnerabilidade de jovens e a necessidade de atenção redobrada em contextos sociais de maior risco. A abrangência geográfica da investigação – envolvendo diversas cidades do noroeste do Paraná – ressalta a complexidade de crimes que transcendem fronteiras municipais e exigem coordenação entre diferentes forças de segurança.
Para a elucidação do caso e a localização tanto do suspeito quanto das primas, a colaboração da comunidade é fundamental. A Polícia Civil reforça o apelo para que qualquer informação sobre o paradeiro de Clayton ou das jovens seja denunciada de forma anônima pelos telefones 181 (Disque-Denúncia), 190 (PM), 197 (PC) ou diretamente em qualquer delegacia. Cada detalhe pode ser decisivo para que a justiça seja feita e as famílias possam ter algum conforto em meio a tanta incerteza.
O Guarapuava no Radar segue acompanhando de perto este e outros desdobramentos relevantes, oferecendo aos leitores informação de qualidade, contextualizada e com o rigor jornalístico necessário. Fique por dentro dos fatos que impactam nossa região e o estado, confiando em um portal que tem compromisso com a verdade e a relevância da notícia.
Fonte: https://g1.globo.com