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Prisão de ex-namorada de foragido por desaparecimento de primas no Paraná lança nova luz sobre investigação

G1

A complexa e angustiante investigação sobre o desaparecimento de Sttela Dalva Melegari Almeida e Letycia Garcia Mendes, ambas de 18 anos, no Paraná, ganhou um novo e significativo desdobramento. A Polícia Civil do Paraná (PC-PR) anunciou a prisão de uma mulher de 23 anos, ex-namorada de Clayton Antonio da Silva Cruz, de 39 anos, principal suspeito do caso e que permanece foragido. A detenção ocorreu na sexta-feira (15), em Paraguaçu Paulista, no interior de São Paulo, e representa um avanço crucial na busca por respostas que têm mobilizado famílias e autoridades há semanas.

De acordo com as investigações conduzidas pelo delegado Luis Fernando Alves Silva, a mulher, cujo nome não foi divulgado em respeito ao sigilo do processo, é apontada como responsável por prestar auxílio financeiro e logístico a Clayton enquanto ele estava em fuga. Essa colaboração teria se manifestado no uso de contas bancárias da ex-namorada por parte do foragido. A medida cautelar de prisão temporária contra a suspeita foi deferida pelo Poder Judiciário, fortalecendo a tese de que havia uma rede de apoio ao principal investigado.

O Mistério do Desaparecimento das Primas

O caso que chocou o noroeste do Paraná teve início na madrugada de 21 de abril. Sttela e Letycia, primas e amigas, foram vistas pela última vez na companhia de Clayton, após aceitarem o convite para ir a uma festa. Elas saíram de Cianorte, na região, em uma caminhonete preta e foram flagradas por câmeras de segurança em uma boate na cidade de Paranavaí. Desde então, as jovens não deram mais notícias, e a principal linha de investigação da Polícia Civil é de duplo homicídio, dada a ausência prolongada e a natureza das evidências.

A decretação da prisão preventiva de Clayton Antonio da Silva Cruz, por roubo e homicídio, em 29 de abril, marcou o início de sua condição de foragido. A figura do suspeito, inclusive, já era conhecida pelas autoridades. Ele se apresentava com o nome falso de “Davi” em Cianorte e também era identificado pelos apelidos “Sagaz” e “Dog Dog”, sendo frequentador assíduo de festas e baladas. A investigação revelou ainda que Clayton possuía um mandado de prisão em aberto por roubo, cometido em 2023 em Apucarana, e que a caminhonete utilizada no dia do desaparecimento era clonada. Esse histórico criminal prévio adiciona camadas de complexidade à sua perseguição e ao entendimento do contexto em que as primas desapareceram.

Linha do Tempo e Detalhes da Investigação

A Polícia Civil montou uma cronologia detalhada dos últimos passos das primas e do suspeito, baseada em imagens de segurança, registros de redes sociais e dados de conexão de celular, obtidos por meio de quebra de sigilo. Esta reconstrução é fundamental para compreender a dinâmica dos eventos e onde as pistas se perderam:

Os Últimos Rastros Digitais e Físicos

Às 22h39 de 20 de abril, as jovens foram filmadas saindo da casa de Letycia, em Cianorte, na caminhonete com Clayton. Letycia, que o conhecia como “Davi”, fez sua última conexão à internet nesse momento. Pouco depois, às 22h54, a caminhonete foi vista em Jussara, onde Sttela mora, para que ela pegasse uma mochila. Em um gesto que hoje ecoa com um tom trágico, Sttela fez uma publicação nas redes sociais às 22h55, marcando Letycia. A imagem mostrava uma garrafa de uísque e música alta no veículo, com a legenda: “Qual será o nosso destino KKKK”. Um registro preocupante, que demonstrava a descontração do momento antes da tragédia.

O trio seguiu viagem pela PR-323 em direção a Maringá. Às 00h16 de 21 de abril, Sttela fez sua última publicação em um trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança, com Clayton aparecendo na imagem e o perfil de Letycia mencionado. A última vez que Sttela se conectou à internet foi às 3h17. Horas depois, às 1h10, os três foram filmados juntos em uma boate em Paranavaí. Entre 22 e 23 de abril, Clayton retornou sozinho a Cianorte, sem a caminhonete, e deixou a cidade novamente de moto e sem celular. A última vez em que o suspeito se conectou à internet foi às 9h de 23 de abril. Em 24 de abril, a polícia descobriu que Clayton havia passado por Maringá antes de se tornar foragido.

O Impacto da Prisão e os Próximos Passos

A prisão da ex-namorada de Clayton é um ponto de virada crucial. Não só demonstra a capacidade das autoridades em rastrear e desmantelar redes de apoio a foragidos, mas também abre a possibilidade de obtenção de novas informações vitais para a localização de Clayton e, consequentemente, para o esclarecimento do paradeiro de Sttela e Letycia. Além do mandado de prisão temporária, foram realizadas buscas em três endereços na cidade paulista, culminando na apreensão de um aparelho celular que será periciado. Detalhes sobre as transações bancárias e outras informações permanecem em sigilo, o que é comum em investigações sensíveis como essa.

O caso das primas desaparecidas repercute fortemente na sociedade, gerando apreensão e exigindo respostas. A tragédia se estende para além das famílias envolvidas, tocando a questão da segurança pública e da violência contra jovens, com um desdobramento que agora se estende por dois estados. A colaboração da população ainda é vista como essencial. A Polícia Civil reitera que denúncias sobre o paradeiro de Clayton Antonio da Silva Cruz ou das jovens podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 181, 190, 197 ou em qualquer delegacia, mantendo a esperança de que cada informação possa ser a peça que falta para solucionar este doloroso mistério.

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Fonte: https://g1.globo.com

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