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Reconhecimento Facial: Segurança e Inovação Redefinem a Experiência nos Estádios Brasileiros

© Divulgação/Bepass/Direitos Reservados

A era dos ingressos físicos, colecionados com carinho como relíquias de paixões esportivas, está cada vez mais distante. Em um movimento que começou a se consolidar há quase um ano, o acesso aos grandes estádios brasileiros – aqueles com capacidade superior a 20 mil espectadores – passou a ser regido por uma tecnologia que promete transformar a experiência do torcedor: a biometria facial. Sem a necessidade de tíquetes em papel ou digitais, a catraca se libera com o simples reconhecimento do rosto do torcedor, previamente cadastrado no momento da compra, marcando uma nova fase na gestão da segurança e do público no futebol.

Uma nova era no acesso aos estádios: a Lei Geral do Esporte

A implementação da biometria facial nos estádios não é um capricho tecnológico, mas uma exigência prevista no artigo 148 da Lei Geral do Esporte, promulgada em 14 de junho de 2023. A legislação estabeleceu um prazo de dois anos para a adoção obrigatória do sistema em arenas de grande porte, visando modernizar o controle de acesso e combater problemas crônicos como a fraude e o cambismo. Fernando Melchert, diretor de Tecnologia da Bepass, uma das empresas que desenvolvem a solução no país, explica que o objetivo central é a personalização do ingresso. “Com isso, você elimina a possibilidade de esse ingresso ficar circulando entre várias pessoas, de poder emprestar, trocar, enfim. Elimina a fraude também, porque você não tem como copiar a face”, detalha Melchert.

O Allianz Parque, em São Paulo, se destacou como pioneiro global na implementação completa da tecnologia em todos os seus acessos ainda em 2023. A iniciativa, liderada pela Bepass na arena palmeirense, resultou em uma velocidade de entrada do público quase três vezes maior. Além da agilidade, a mudança impulsionou o engajamento dos clubes com sua base de fãs, com o Palmeiras, por exemplo, registrando um aumento de pelo menos 30% no número de sócios-torcedores, o que demonstra o impacto positivo da medida na fidelização e captação de novos públicos.

A experiência do torcedor e o novo perfil do público

Para o torcedor comum, a biometria facial representa, sobretudo, praticidade. Marcos Antônio de Oliveira Saturnino, motoboy e torcedor, compartilhou à TV Brasil sua percepção antes de um clássico na Arena Barueri: “Venho com minhas filhas. Para nós, é mais prático e rápido, pois compramos [o ingresso] on-line, fazemos a [biometria] facial uma vez e já libera”. Essa agilidade e a percepção de um ambiente mais seguro têm um impacto direto na composição do público. Fernando Melchert destaca um crescimento expressivo: “Sem dúvida nenhuma, houve um aumento de famílias nos estádios, especialmente mulheres [32%] e crianças [26%] entre 2023 [antes da Lei Geral do Esporte] e 2025”.

O reflexo dessa mudança é visível nos números gerais de frequência. A média de torcedores no Brasileirão Masculino do ano passado, considerando apenas as 269 partidas após a obrigatoriedade da biometria facial, foi de 26.513 pessoas por jogo, um aumento de cerca de 4% em relação à média geral. Esse crescimento, mesmo que modesto em percentual, representa milhares de novos frequentadores e reforça a ideia de que a tecnologia, aliada à segurança, tem o poder de democratizar o acesso e atrair um público mais diversificado aos espetáculos esportivos, resgatando um ambiente outrora marcado por conflitos e insegurança.

Segurança reforçada: uma barreira contra a criminalidade

O argumento mais contundente em favor do reconhecimento facial, além da comodidade, é o avanço na segurança pública. O sistema é interligado diretamente ao Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP), permitindo o cruzamento de dados em tempo real. Se um torcedor com pendências jurídicas tentar acessar o estádio, a polícia é imediatamente acionada. Um exemplo claro dessa eficácia ocorreu no clássico entre Santos e Corinthians, na Vila Belmiro, em 15 de março: três homens foram detidos, um procurado por roubo e outros dois por não pagamento de pensão alimentícia, demonstrando a agilidade e a precisão na ação policial.

Em nível nacional, o projeto “Estádio Seguro”, fruto de um acordo de cooperação entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e os ministérios do Esporte e da Justiça e Segurança Pública, em 2023, busca ampliar essa integração. Em São Paulo, uma parceria entre os clubes e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) criou o programa “Muralha Paulista”, que integra os equipamentos de reconhecimento facial a um sistema de monitoramento com câmeras em todo o estado. Graças a essa rede, mais de 280 foragidos da justiça foram identificados e detidos ao tentarem ingressar nas arenas esportivas. Fernando Melchert explica o fluxo de informações: “Como o ingresso é personalizado, a gente sabe quem é o comprador. Isso é enviado para a Secretaria de Segurança, que faz uma varredura para ver se há alguma pendência e retorna a informação para o controle de acesso e, obviamente, ao time de segurança que fica nas arenas. O objetivo é que a Polícia cumpra esse mandato no momento que essa pessoa frequentar o estádio”.

O debate sobre privacidade e os desafios da biometria

Apesar dos benefícios evidentes em termos de segurança e praticidade, a adoção em larga escala do reconhecimento facial não está isenta de controvérsias e levanta importantes questões sobre a privacidade dos cidadãos. O relatório “Esporte, Dados e Direitos”, desenvolvido pelo projeto “O Panóptico” do Centro de Estudos de Tecnologia e Sociedade da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), questiona a obrigatoriedade da tecnologia nos estádios. O documento ecoa a posição de diversas instituições e organizações civis, nacionais e internacionais, que apontam riscos potenciais à liberdade individual e à proteção de dados pessoais. A preocupação reside, principalmente, no destino e na gestão dessas informações sensíveis, bem como na possibilidade de uso indevido ou de falhas de segurança que exponham os dados dos torcedores, exigindo um debate aprofundado sobre o equilíbrio entre vigilância para a segurança pública e os direitos fundamentais à privacidade em uma sociedade cada vez mais digitalizada.

Perspectivas futuras e o custo-benefício da inovação

O impacto positivo da biometria facial já motiva clubes que, legalmente, não seriam obrigados a adotá-la. O Santos Futebol Clube, por exemplo, com a Vila Belmiro tendo capacidade para cerca de 15 mil pessoas – abaixo do limite legal –, iniciou em 2024 a operacionalização do acesso via biometria. A motivação vai além da segurança, estendendo-se aos ganhos financeiros e operacionais. O presidente do Santos, Marcelo Teixeira, revela uma estimativa de economia de R$ 100 mil mensais (R$ 1,2 milhão anuais) apenas por não precisar mais confeccionar carteirinhas. “Conseguimos cadastrar um número recorde de pessoas e oferecemos, ao mesmo tempo, mais condições de conforto e segurança para os torcedores que estejam vindo à Vila Belmiro. Nós temos a possibilidade, com o reconhecimento facial, de evitar questões inerentes a ingressos falsos e cambistas”, afirmou Teixeira.

A tendência é que mais clubes, independentemente do porte, sigam essa rota, ponderando os investimentos iniciais contra os benefícios a longo prazo em segurança, eficiência e engajamento da torcida. Enquanto a tecnologia avança, a sociedade e os órgãos reguladores precisam continuar buscando respostas para as questões éticas e de privacidade levantadas pela crescente presença dessa inovação no cotidiano. O reconhecimento facial promete continuar redefinindo a experiência nos estádios, equilibrando a modernidade com a responsabilidade cívica.

A revolução do reconhecimento facial nos estádios é um tema em constante evolução, que molda não apenas a forma como acessamos os jogos, mas também a dinâmica entre segurança pública, experiência do torcedor e direitos individuais. Para continuar acompanhando as últimas notícias, análises aprofundadas e os desdobramentos desses e outros assuntos que impactam Guarapuava e região, mantenha-se conectado ao Guarapuava no Radar. Nosso compromisso é com a informação relevante, atual e contextualizada, oferecendo um panorama completo para que você esteja sempre bem informado.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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