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Rioprevidência Reverte Excedentes de Custeio para Benefícios em Meio a Investigações e Saneamento

© Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Fundo Único de Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência) anunciou uma importante mudança em sua gestão financeira, prometendo redirecionar recursos excedentes de seu fundo administrativo para o pagamento de aposentadorias e pensões de servidores estaduais. A medida, divulgada nesta terça-feira (9), é acompanhada pela adoção de critérios de investimento mais conservadores, e surge em um cenário de intensas investigações que ligam a autarquia ao controverso 'Caso Master', focado em suspeitas de aplicações financeiras irregulares de bilhões de reais.

Fluxo de Recursos Prioriza o Aposentado

A nova diretriz, aprovada pela diretoria executiva do instituto no último dia 2, estabelece um mecanismo claro: ao final de cada mês, os valores do Fundo Administrativo que superarem 150% das despesas da autarquia nos 12 meses anteriores serão integralmente revertidos para o fundo de benefícios previdenciários. Essa iniciativa busca fortalecer a liquidez e a capacidade de pagamento do Rioprevidência, pilar da segurança financeira de milhares de famílias fluminenses.

A estimativa inicial aponta que cerca de R$ 100 milhões serão redirecionados até o final deste ano, representando um reforço concreto para o sistema. O diretor-presidente, Felipe Derbli, ressaltou a importância estratégica da decisão: 'Além de reforçar o pagamento dos benefícios, a medida funcionará como um mecanismo de limitação das despesas para o futuro'. A regra agora aguarda a deliberação do Conselho de Administração do Rioprevidência, cuja sessão ordinária está agendada para o final do mês de junho.

Rioprevidência Adota Cautela em Investimentos

Em um movimento que demonstra maior prudência na gestão dos ativos, a diretoria executiva também determinou que os investimentos do Fundo Administrativo passem a seguir critérios mais conservadores. O foco será em aplicações de curto prazo e com maior liquidez, visando maximizar a segurança dos recursos e evitar a exposição a riscos desnecessários. Essa mudança de postura é um sinal claro de ajuste estratégico, buscando maior estabilidade para o custeio operacional do órgão.

Felipe Derbli reforçou a lógica por trás da nova política: 'Não há sentido em submeter os recursos do custeio administrativo do Rioprevidência a investimentos de longo prazo, naturalmente mais arriscados'. A decisão sublinha uma tentativa de salvaguardar o patrimônio da autarquia e a garantia dos benefícios previdenciários, em resposta às preocupações sobre a gestão de fundos públicos.

O Peso do 'Caso Master' na Reputação do Fundo

As recentes alterações no Rioprevidência ganham um contorno mais nítido quando contextualizadas no cenário do 'Caso Master'. Este escândalo trouxe à tona suspeitas graves de aplicações financeiras irregulares de bilhões de reais do fundo de previdência dos servidores fluminenses em Letras de Crédito e fundos do Banco Master, colocando o órgão no centro de uma complexa investigação. A repercussão do caso tem gerado apreensão entre aposentados e pensionistas, além de demandar respostas claras e efetivas da gestão.

A Polícia Federal, em 26 de maio, deflagrou a oitava fase da Operação Compliance Zero, investigando o suposto envolvimento do ex-governador Cláudio Castro nas operações. Relatório parcial da PF, remetido ao ministro André Mendonça do STF, aponta que, entre outubro de 2023 e julho de 2024, o Rioprevidência teria investido R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master. Posteriormente, entre dezembro de 2024 e outubro de 2025, após 'entraves regulatórios', outros R$ 2,01 bilhões foram aportados em fundos estruturados pelo mesmo grupo. Os valores sob suspeita somam impressionantes R$ 3 bilhões, impondo um desafio colossal à credibilidade e à saúde financeira da previdência estadual.

Para os servidores públicos fluminenses, a série de notícias sobre desvios e má gestão de fundos previdenciários é motivo de grande preocupação. A segurança dos benefícios é primordial, e as medidas anunciadas agora pelo Rioprevidência, como a reversão de excedentes e a prudência nos investimentos, surgem como uma tentativa de restaurar a confiança e garantir a sustentabilidade de um sistema vital para o estado, frequentemente desafiado por crises fiscais.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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