A seleção brasileira feminina de futebol encerrou mais uma importante data Fifa, um período crucial no calendário internacional dedicado à reunião das equipes nacionais para jogos e treinamentos. Desta vez, o foco esteve em dois amistosos estratégicos contra a Argentina, que serviram como um verdadeiro laboratório para o técnico Arthur Elias. Após uma vitória convincente por 3 a 1 no Beira-Rio, em Porto Alegre, a equipe canarinho buscou novas formações e táticas, culminando em um empate por 2 a 2 com as rivais sul-americanas na Arena de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, na região metropolitana de Recife.
Este ciclo de jogos não se resumiu apenas aos resultados em campo, mas representou uma etapa fundamental na preparação para os desafios futuros, especialmente a Copa do Mundo de 2027, que será sediada no Brasil. A oportunidade de testar um vasto número de jogadoras e diferentes esquemas táticos é vital para construir um elenco robusto e competitivo, capaz de enfrentar as expectativas de jogar em casa no maior torneio de futebol feminino do planeta.
Estratégia de Testes e Rotação no Elenco da Seleção Feminina
A abordagem do técnico Arthur Elias para os dois confrontos contra a Argentina foi clara: maximizar os testes e a observação de novas atletas. Para o segundo amistoso, na Arena de Pernambuco, o treinador promoveu nove mudanças na formação titular em comparação com a partida anterior. Apenas as laterais Isabela e Raíssa Bahia foram mantidas, demonstrando a intenção de avaliar o desempenho de diferentes combinações e a profundidade do elenco.
No gol, Thaís Lima assumiu a vaga de Lorena, enquanto a dupla de zaga foi composta por Tayla e Tarciane. Do meio-campo para o ataque, Kaylane, Kerolin, Bia Zaneratto, Gio Garbelini, Priscila e Jhonson foram as escolhidas, substituindo Duda Sampaio, Angelina, Maiara, Luany, Taina Maranhão e Geyse, respectivamente. Essa rotação massiva permitiu que 27 das 28 jogadoras convocadas tivessem minutos em campo, incluindo a estreia da zagueira Carol Gil, do São Paulo, e de Carlinha, outra campeã brasileira pelo Tricolor paulista. Apenas a goleira Yanne, do Bahia, não participou das partidas, evidenciando o compromisso da comissão técnica em dar oportunidades e analisar o maior número possível de talentos.
O Desempenho em Campo: Gols, Reação e a Vantagem Numérica
A partida em Recife começou promissora para o Brasil, que tomou a iniciativa e abriu o placar logo aos 12 minutos com Bia Zaneratto, de cabeça, após um cruzamento preciso de Raíssa Bahia. Aos 27, Gio Garbelini ampliou a vantagem, aproveitando uma sobra em contra-ataque. No entanto, a Argentina demonstrou resiliência. Aos 34 minutos, a meia Daiana Falfán diminuiu para as visitantes. Na etapa final, aos sete minutos, Agostina Holzheier foi derrubada na área por Isabela, e Florencia Bonsegundo converteu o pênalti, deixando tudo igual.
A situação parecia favorável ao Brasil quando, aos 11 minutos do segundo tempo, a meia Sofía Dominguez, da Argentina, foi expulsa por puxar o cabelo de Kerolin. Com uma jogadora a mais por mais de meia hora, a expectativa era de que a seleção verde e amarela pressionasse e buscasse a vitória. Contudo, apesar do apoio de cerca de 30 mil torcedores na Arena de Pernambuco, o Brasil não conseguiu criar chances claras de grande perigo, frustrando a torcida e o próprio treinador.
Em entrevista coletiva após o jogo, Arthur Elias refletiu sobre o resultado: “Tivemos dificuldade de jogar com uma mais. Tem coisas que não foram boas e viram alertas e tem coisas positivas que nos aproximam de uma convocação em maio do ano que vem”. A declaração ressalta a importância de aprender com os erros e ajustar a equipe, mesmo em um contexto de testes.
Copa do Mundo de 2027: O Horizonte da Seleção Brasileira
A filosofia de Arthur Elias é clara: “Existem jogos em que a prioridade máxima é vencer, como foi com os Estados Unidos [na data Fifa anterior, em junho]. E temos confrontos que são estratégicos, em que tomamos decisões difíceis, mas importantes”. Essa visão orienta a preparação da equipe para a Copa do Mundo de 2027, que será um marco para o futebol feminino brasileiro, com o país sediando o torneio pela primeira vez.
O caminho até lá inclui mais dois amistosos contra o Japão, ambos fora de casa: o primeiro em 29 de novembro, em Hiroshima, e o segundo em 5 de dezembro, na cidade de Okayama. Em 2027, o calendário prevê mais duas datas Fifa, em fevereiro e abril, com espaço para até três partidas em cada, antes da tão aguardada convocação final para a Copa do Mundo. Esses confrontos são essenciais para consolidar o elenco, aprimorar a tática e fortalecer a coesão do grupo, visando um desempenho histórico em casa.
A jornada da seleção feminina é contínua, repleta de desafios e aprendizados. Para acompanhar de perto cada passo dessa trajetória e se manter informado sobre o esporte e os mais diversos temas que impactam Guarapuava e região, continue navegando no Guarapuava no Radar. Nosso compromisso é oferecer informação relevante, atual e contextualizada, com a credibilidade que você merece.