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Setor Produtivo Pressiona por Reduções Mais Agressivas da Selic Após Corte “Tímido” do Copom

© Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, em sua mais recente reunião, uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, que passou de 14,75% para 14,50% ao ano. Contudo, a decisão, que à primeira vista poderia sinalizar um alívio para a economia, foi recebida com considerável ceticismo e crítica por um vasto coro de entidades representativas do setor produtivo e do movimento sindical brasileiro. A percepção unânime é que o corte foi modesto demais, mantendo o custo do dinheiro em um patamar proibitivo e continuando a sufocar investimentos, frear o consumo e, consequentemente, impactar negativamente a geração de renda e empregos.

A Selic, como mecanismo central da política monetária, serve de baliza para todas as taxas de juros do país, desde empréstimos bancários e financiamentos até aplicações financeiras. Seu principal objetivo é o controle da inflação, mas seu patamar elevado por um período prolongado impõe um alto preço ao crescimento econômico. Para as lideranças empresariais e sindicais, o atual nível da Selic, mesmo após a pequena baixa, ainda distorce o ambiente de negócios, desincentivando a produção em favor da especulação financeira e dificultando a vida financeira de empresas e famílias.

Indústria: Competitividade Ameaçada e Endividamento Recorde

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi uma das primeiras a manifestar sua insatisfação, classificando o corte como "tímido". Para a entidade, essa modesta alteração não é suficiente para reverter o cenário de alto custo do crédito, que corrói a competitividade do setor. Ricardo Alban, presidente da CNI, expressou a preocupação de que o custo do capital permanecerá em um "nível proibitivo", o que inviabiliza novos projetos e expansões que seriam cruciais para a modernização e o aumento da produtividade industrial. Em um cenário global cada vez mais competitivo, a dificuldade de acesso a crédito acessível e a juros mais baixos coloca a indústria brasileira em desvantagem, limitando sua capacidade de inovar e de se expandir.

Além do impacto direto sobre os investimentos, a CNI também alertou para a crescente deterioração da saúde financeira tanto das empresas quanto das famílias. O endividamento, que vem batendo recordes mês a mês, torna a economia mais frágil e vulnerável a choques externos. Empresas endividadas lutam para manter suas operações, enquanto famílias sobrecarregadas com dívidas de juros altos veem seu poder de compra diminuir, criando um ciclo vicioso de estagnação econômica.

Comércio: Atividade Penalizada e Estímulo à Especulação

A Associação Paulista de Supermercados (APAS) ecoou as críticas, argumentando que o Banco Central já possuía margem para uma redução mais substancial da Selic. Felipe Queiroz, economista-chefe da APAS, destacou que o atual patamar dos juros continua a penalizar severamente a atividade econômica. O setor varejista, que depende diretamente do poder de compra do consumidor e da capacidade de investimento das empresas para expansão e modernização de lojas, sente de perto os efeitos de uma política monetária restritiva.

Queiroz detalhou o impacto prático: "Estamos vendo muitas empresas entrando em recuperação judicial, endividamento das famílias aumentando e o custo com o serviço da dívida também". Este cenário é particularmente preocupante para o comércio, pois o aumento do endividamento das famílias se traduz diretamente em menor consumo, vendas mais fracas e, em última instância, menor faturamento para os estabelecimentos comerciais. A APAS também ressaltou o desequilíbrio gerado, onde o "estímulo muito grande ao capital especulativo" se dá em detrimento do setor produtivo, desviando recursos que poderiam ser aplicados em negócios reais e na geração de valor para a economia.

Centrais Sindicais: Impacto Direto na Renda e Endividamento Familiar

Do lado dos trabalhadores, as centrais sindicais também levantaram suas vozes. A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da Central Única dos Trabalhadores (Contraf-CUT) criticou veementemente o ritmo lento da queda da Selic, sublinhando o impacto direto da política monetária na renda da população. Juvandia Moreira, presidenta da entidade, reforçou que "a redução de 0,25% é muito pouco", especialmente diante de um "nível de endividamento das famílias que está enorme".

A dirigente explicou que a taxa Selic é a mola mestra de todo o sistema financeiro: "Quando a Selic sobe, os bancos cobram mais caro no crédito. Quando cai, o crédito fica mais barato, mas essa redução ainda é insuficiente". Essa dinâmica afeta diretamente o custo de financiamentos imobiliários, veículos, empréstimos pessoais e até mesmo o crédito rotativo do cartão, elevando o custo de vida e corroendo o orçamento das famílias brasileiras, incluindo as de Guarapuava, que buscam crédito para suas necessidades diárias ou para realizar planos de médio e longo prazo.

A Força Sindical também se manifestou, classificando a decisão como insuficiente e reiterando os impactos negativos sobre o crescimento do país. Em nota, a central afirmou que "a redução foi tímida e mantém os juros em patamar elevado", o que "restringe investimentos, freia a produção e compromete a geração de empregos e renda". A entidade fez a conexão direta entre o custo elevado do crédito e o alto nível de endividamento familiar, um fardo que impede a retomada econômica e limita a capacidade das famílias de planejar o futuro.

Pressão Unificada por Novas e Maiores Reduções

Apesar de representarem segmentos distintos – indústria, comércio e trabalhadores – as entidades convergem em um diagnóstico preocupante e uma demanda comum: há espaço e urgência para uma redução mais acelerada da taxa básica de juros. O consenso é que o atual nível da Selic ainda impõe restrições significativas ao crescimento econômico, ao acesso ao crédito e ao consumo no país, travando o potencial de desenvolvimento e gerando incerteza para o futuro.

Esse movimento de pressão sobre o Banco Central reflete uma ampla insatisfação com a política monetária atual, que, na visão desses setores, prioriza demasiadamente o controle inflacionário em detrimento da retomada do crescimento e da geração de empregos. O debate sobre o equilíbrio ideal entre controle da inflação e estímulo econômico permanece aceso, e as próximas reuniões do Copom serão decisivas para definir os rumos da economia brasileira, impactando diretamente o dia a dia de cada cidadão e cada negócio, de grandes indústrias a pequenos empreendimentos em cidades como Guarapuava.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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