O programa Tesouro Direto alcançou um marco histórico em agosto, registrando o maior volume de investimentos desde o início da série histórica. O montante aplicado pelos brasileiros somou R$ 15 bilhões, consolidando o interesse crescente da população por títulos públicos como alternativa de alocação de capital. Ao todo, foram realizadas 1,32 milhão de operações no período, refletindo uma base de investidores cada vez mais ativa no mercado financeiro nacional.
Apesar do recorde nas novas aplicações, o balanço mensal apresentou uma captação líquida negativa de R$ 2,21 bilhões. Esse resultado ocorreu porque o volume de resgates e vencimentos totalizou R$ 17,22 bilhões. O movimento foi impulsionado, em grande parte, pelo vencimento de títulos específicos, como o Tesouro IPCA+ 2026, que sozinho movimentou R$ 11,3 bilhões, e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2026, com R$ 1,5 bilhão.
Preferência por liquidez e proteção contra a inflação
Os títulos indexados à taxa Selic mantiveram a liderança na preferência dos investidores, alcançando R$ 7 bilhões em vendas, o que representa 46,9% do total investido no mês. A busca por esses papéis, que oferecem maior liquidez e acompanham a variação dos juros básicos da economia, demonstra um comportamento cauteloso diante do cenário macroeconômico atual. Na sequência, os títulos atrelados à inflação somaram R$ 5,5 bilhões (36,3%), enquanto os prefixados totalizaram R$ 2,5 bilhões (16,7%).
O perfil do investidor também se mantém diversificado, mas com forte presença do pequeno aplicador. As operações de até R$ 1 mil representaram 55,7% do total de transações realizadas em agosto. O valor médio por aplicação atingiu R$ 11.366,43, evidenciando que, embora o programa atraia grandes volumes, ele permanece como uma porta de entrada acessível para quem busca iniciar uma reserva financeira com segurança.
Estabilidade no estoque e crescimento da base de investidores
O estoque total do Tesouro Direto encerrou agosto em R$ 272 bilhões, mantendo estabilidade em relação ao mês anterior, quando o montante era de R$ 272,3 bilhões. Quando comparado a agosto de 2025, o crescimento é expressivo, atingindo 43% em relação aos R$ 190,2 bilhões registrados na época. Os títulos indexados à inflação continuam sendo a principal parcela da carteira, respondendo por 47,1% do estoque total, seguidos pelos papéis atrelados à Selic (39,3%) e prefixados (13,6%).
A capilaridade do programa também segue em expansão. O número de investidores ativos chegou a 3,83 milhões, com um acréscimo de 23.962 novos nomes em relação a julho. No acumulado de 12 meses, o avanço na base de investidores foi de 21,7%. O total de pessoas cadastradas no sistema alcançou 36,44 milhões, com a entrada de 315.217 novos usuários apenas em agosto, conforme dados disponíveis no portal Agência Brasil.
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