A alegria de uma reunião familiar, mesmo em meio ao luto, transformou-se em uma dor ainda mais profunda na noite do último sábado (13) em Santa Maria do Oeste, na região central do Paraná. André Felipe Dziecinny, de apenas 10 anos, perdeu a vida em um trágico acidente de trânsito. O menino retornava com os pais do velório de seu avô materno, que havia ocorrido em Guarapuava, quando o carro em que estavam colidiu com dois cavalos que transitavam pela rodovia.
O impacto, registrado no quilômetro 18 + 700 da PRC-456, foi fatal para André, que, apesar de ter sido socorrido e encaminhado em estado grave para o hospital, não resistiu aos ferimentos. A família vivenciava um momento de despedida em Guarapuava, a cerca de 100 quilômetros do local do acidente, o que adiciona uma camada de desolação à já inimaginável perda. O pai de André, que dirigia o veículo, sofreu ferimentos leves, enquanto a mãe e um homem de 33 anos que conduzia os animais tiveram ferimentos moderados, sendo internados no Hospital Regional de Ivaiporã. Os dois cavalos morreram no local do acidente.
O Perigo Oculto nas Estradas Paranaenses: Animais na Pista
Este lamentável episódio reacende o debate sobre a segurança nas rodovias paranaenses, especialmente em trechos rurais e vicinais. O Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) confirmou que o local do acidente na PRC-456 não possui acostamento, uma característica que agrava consideravelmente os riscos em uma situação de emergência ou de obstáculos inesperados na pista. A presença de animais soltos em rodovias é um problema recorrente no Paraná e em outras regiões do Brasil, contribuindo para uma parcela significativa de acidentes, muitos deles com vítimas fatais.
A ausência de cercas adequadas às margens das estradas, a falta de fiscalização sobre a guarda de rebanhos e a própria cultura de criação de animais em áreas próximas às rodovias são fatores que se somam para criar um cenário de perigo constante. Para os motoristas, a visibilidade reduzida à noite, aliada à velocidade das vias, transforma um encontro com um animal de grande porte em um risco iminente de tragédia, como lamentavelmente ocorrido com a família Dziecinny.
Legislação e Responsabilidade: Um Desafio para as Autoridades
A legislação brasileira é clara ao atribuir ao proprietário do animal a responsabilidade civil por danos causados a terceiros. O Código Civil (Art. 936) estabelece que o dono, ou detentor do animal, ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. No entanto, a identificação e responsabilização efetiva desses proprietários muitas vezes se torna um desafio para as autoridades, dificultando a prevenção e a punição. A repetição de acidentes como o de André Felipe serve como um triste lembrete da necessidade de maior rigor na fiscalização e na conscientização dos criadores.
Além da responsabilidade dos criadores, o Estado tem seu papel na manutenção e sinalização das rodovias. A falta de acostamento e de sinalização de alerta para a possível presença de animais em certos trechos são pontos críticos que exigem atenção dos órgãos responsáveis pela infraestrutura viária. Investimentos em cercamento, painéis eletrônicos de aviso e patrulhamento podem ser cruciais para mitigar riscos e evitar que outras famílias sejam destroçadas por tragédias previsíveis.
A Dor que Ultrapassa as Cidades: Luto em Guarapuava e Santa Maria do Oeste
A notícia da morte de André Felipe Dziecinny ressoa não apenas em Santa Maria do Oeste, mas também em Guarapuava, de onde a família retornava. A comunidade em ambas as cidades se une no luto e na reflexão sobre a vulnerabilidade da vida. Uma viagem que deveria ser de retorno ao lar após uma despedida dolorosa se tornou o palco de uma nova e ainda mais chocante tragédia. A recuperação física dos pais de André e do homem que conduzia os cavalos é um alívio, mas a ferida emocional causada pela perda do filho certamente levará tempo para cicatrizar.
Este evento serve como um alerta contundente para todos os motoristas sobre a imprevisibilidade das estradas e para as autoridades sobre a urgência de medidas preventivas eficazes. A vida de uma criança foi ceifada em circunstâncias que poderiam ter sido evitadas, deixando para trás questionamentos e um rastro de dor que ultrapassa os limites da família e alcança toda a sociedade paranaense.
O Guarapuava no Radar se solidariza com a família Dziecinny neste momento de imensa dor e reitera seu compromisso com a informação relevante e contextualizada. Continue acompanhando nosso portal para se manter atualizado sobre os desdobramentos deste e de outros temas que impactam a vida de nossa comunidade, trazendo análises aprofundadas e o olhar jornalístico necessário para compreender os fatos que nos cercam.
Fonte: https://g1.globo.com