O comércio varejista brasileiro registrou uma retração de 0,8% no volume de vendas durante o mês de julho, na comparação com junho. Os dados, divulgados nesta terça-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam para um movimento de acomodação do mercado após o período de intensa movimentação gerado pela Copa do Mundo.
Com esse resultado, o setor apresenta uma desaceleração no acumulado dos últimos 12 meses, atingindo 1,6%. A média móvel trimestral, que serve como um termômetro para identificar tendências de longo prazo, também sinaliza um cenário de cautela, com variação negativa de 0,1%. Apesar da queda mensal, o varejo nacional ainda se mantém 10,6% acima do patamar registrado em fevereiro de 2020, período anterior à pandemia de covid-19.
Impacto da Copa do Mundo no consumo
A análise técnica do IBGE sugere que o recuo observado em julho é, em grande parte, uma “ressaca” do consumo antecipado. Setores que tiveram alta expressiva nos meses que antecederam o torneio, como o de eletrodomésticos, sofreram ajustes naturais após a conclusão das compras de itens como televisores e artigos relacionados ao evento esportivo.
Segundo Cristiano Santos, analista da pesquisa, a concentração de gastos em maio e junho elevou a base de comparação, tornando o desempenho de julho menos favorável. “Todo mundo que iria comprar uma televisão, aproveitou que teria Copa e comprou em maio”, explica o especialista, reforçando que o comportamento do consumidor foi direcionado pela sazonalidade do evento.
Desempenho por setores e varejo ampliado
O levantamento detalha que cinco das oito atividades pesquisadas pelo instituto apresentaram retração no período. O segmento de móveis e eletrodomésticos liderou as quedas, com recuo de 4,9%, seguido por livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%) e tecidos, vestuário e calçados (-2,7%). Em contrapartida, setores como artigos farmacêuticos e equipamentos de informática mantiveram resultados positivos, com altas de 0,6% cada.
Diferente do varejo restrito, o comércio varejista ampliado — que engloba também o atacado, veículos, motos e material de construção — apresentou um cenário distinto, com alta de 0,4% na passagem de junho para julho. Esse indicador, que reflete uma parcela mais robusta da economia, acumula variação positiva de 1,2% nos últimos 12 meses.
Cenário macroeconômico atual
A Pesquisa Mensal de Comércio (PMC) completa o ciclo de indicadores conjunturais do IBGE. O desempenho do varejo em julho dialoga com os resultados recentes de outros setores da economia brasileira. Enquanto o setor de serviços apresentou estabilidade (0%) no mesmo período, a produção industrial registrou um leve crescimento de 0,2%. Esses dados, em conjunto, desenham um panorama de estabilização da atividade econômica nacional.
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