PUBLICIDADE

Paraná perdeu cobertura de vegetação nativa e áreas estão mais fragmentadas, revela estudo

Paraná perdeu cobertura de vegetação nativa e áreas estão mais fragmentadas, revela estudo
1 de 3 Expansão da agropecuária aumenta fragmentos de mata nativa, aponta pesquisador — Foto: RPC

As áreas de vegetação nativa do Paraná registraram reduções expressivas em suas dimensões e tornaram-se significativamente mais fragmentadas nas últimas décadas. O cenário ambiental do estado reflete pressões contínuas sobre os ecossistemas originais, levantando alertas importantes sobre a conservação da biodiversidade regional e o equilíbrio ecológico a longo prazo.

Conforme os dados divulgados pelo MapBiomas, o território paranaense contava com 251.756 fragmentos de vegetação nativa em 2024. O montante representa um acréscimo de 6,96% em relação ao levantamento de 1986, quando o estado contabilizava 235.371 áreas preservadas. Contudo, o aumento na quantidade de porções não significa expansão territorial, mas sim uma divisão cada vez maior do espaço natural.

Reducao na area media dos fragmentos

Paralelamente ao crescimento no número de fragmentos, a extensão média de cada área verde sofreu uma retração expressiva. Entre 1986 e 2024, a área média de cada porção de vegetação nativa no Paraná passou de 244 mil metros quadrados para 220 mil metros quadrados, o que representa uma queda de 9,8%.

O fenômeno da fragmentação ocorre quando trechos de matas originais são seccionados pela abertura de pastagens, áreas agrícolas ou expansão urbana. Na prática, a vegetação remanescente fica ilhada, separada por matrizes antrópicas que dificultam a manutenção contínua dos ecossistemas e elevam a vulnerabilidade ambiental de plantas e animais.

Impactos na fauna, na flora e nos servicos ecossistemicos

O isolamento crescente das reservas naturais traz consequências diretas para a sobrevivência das espécies silvestres. A compartimentação do habitat restringe a livre circulação de animais e plantas, reduz drasticamente a troca genética entre populações e expõe a vegetação a riscos severos, como incêndios florestais e os chamados efeitos de borda.

Os efeitos de borda consistem em alterações climáticas e ecológicas que ocorrem na zona de transição entre a floresta preservada e a área degradada. O pesquisador e coordenador técnico do grupo de Degradação do MapBiomas, Dhemerson Conciani, aponta a expansão da agropecuária como principal motor desse processo e reforça que fragmentos menores perdem capacidade de fornecer recursos básicos, como água e polinização.

Estrategias de conexao e corredores ecologicos

Diante do diagnóstico de isolamento ecológico, especialistas destacam a urgência de iniciativas voltadas à reconexão das matas paranaenses. A articulação entre o poder público e os proprietários rurais surge como um caminho viável para mitigar os danos e restaurar a funcionalidade da paisagem natural.

Entre as alternativas mais recomendadas está a implantação de corredores ecológicos, estruturas que permitem o trânsito seguro de animais de médio e grande porte entre diferentes remanescentes. Espécies de grande porte, como a onça, demandam vastas extensões territoriais para subsistir, tornando a conectividade dos fragmentos uma exigência incontornável para a preservação da vida silvestre.

Continue acompanhando o Guarapuava no Radar para se manter informado sobre os principais debates ambientais, notícias regionais e fatos que impactam o cotidiano do Paraná com apuração rigorosa e compromisso jornalístico.

Leia mais

PUBLICIDADE