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Brasil investe um terço da média da OCDE por aluno, revela relatório internacional

Brasil investe um terço da média da OCDE por aluno, revela relatório internacional
© Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil destina um valor significativamente menor por estudante em comparação com a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Um relatório recente, o Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026), divulgado pela OCDE nesta terça-feira, dia 29, aponta que o gasto anual por aluno no país, abrangendo desde o ensino fundamental até o superior, foi de US$ 4.133 em 2023. Este montante representa apenas cerca de um terço (30,39%) da média investida pelos demais países avaliados pela organização, que alcança US$ 13.601 por estudante.

A disparidade nos investimentos levanta questões cruciais sobre a qualidade e a equidade do sistema educacional brasileiro. Enquanto nações desenvolvidas e até mesmo vizinhos latino-americanos conseguem aplicar mais recursos diretamente na formação de seus jovens, o Brasil enfrenta o desafio de otimizar seus gastos para garantir um futuro mais promissor para milhões de estudantes.

A Disparidade no Gasto por Estudante

A análise detalhada do relatório da OCDE evidencia uma lacuna preocupante. O investimento brasileiro por aluno não apenas fica aquém da média dos países mais desenvolvidos, mas também se mostra inferior ao de algumas nações da América Latina. O Chile, por exemplo, registrou um gasto anual de US$ 5.794 por estudante, enquanto a Costa Rica investiu US$ 7.028 por aluno no mesmo período. É importante ressaltar que todos esses valores foram ajustados para neutralizar as diferenças no custo de vida entre os países, garantindo uma comparação mais justa e precisa.

Essa diferença substancial no investimento direto por aluno pode ter impactos profundos na infraestrutura das escolas, na disponibilidade de materiais didáticos, na formação continuada de professores e, consequentemente, na qualidade do ensino oferecido. A falta de recursos adequados pode limitar o acesso a tecnologias educacionais modernas e a programas de apoio que são comuns em sistemas com maior financiamento.

Paradoxo do Investimento: PIB vs. Aluno

Curiosamente, apesar do baixo gasto por aluno, o Brasil investe uma parcela maior do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação em comparação com a média da OCDE. Em 2023, o gasto público brasileiro com educação correspondeu a 4,5% do PIB, enquanto a média dos países-membros da OCDE foi de 4%. Esse paradoxo, onde uma maior proporção do PIB não se traduz em um investimento per capita elevado, pode ser explicado pela vasta população estudantil do país.

O Ministério da Educação (MEC) destacou em nota que o relatório também aponta uma queda nos investimentos em educação ao longo de oito anos. Entre 2015 e 2023, o indicador de gasto em relação ao PIB passou de 5,5% para 4,6% no Brasil, e de 4,4% para 4,2% na média dos países da organização com dados disponíveis. Essa redução, embora menor na OCDE, é mais acentuada no contexto brasileiro, indicando um desafio contínuo de financiamento.

Para Ricardo Henriques, superintendente-executivo do Instituto Unibanco, o gasto por aluno abaixo da média compromete diretamente os resultados na aprendizagem, mesmo com uma proporção maior do PIB dedicada ao setor. Ele enfatiza que essa realidade deve ser sempre lembrada ao se cobrar um desempenho educacional irrealista do Brasil, dadas as condições de investimento. A complexidade do sistema e a extensão territorial do país também contribuem para a diluição dos recursos.

Variações de Investimento por Nível de Ensino

O relatório da OCDE também revela que os gastos governamentais com educação tendem a aumentar conforme o nível de ensino, tanto no Brasil quanto nos demais países. No entanto, a discrepância nos valores se mantém. Em 2023, o Brasil investiu US$ 4.064 por aluno/ano no ensino fundamental 1 (1º ao 5º ano), e US$ 4.390 no fundamental 2 (6º ao 9º ano).

Em contraste, a média dos países da OCDE para o ensino fundamental 1 foi de US$ 12.893 por estudante, e para o fundamental 2, alcançou US$ 14.291. Essa diferença expressiva em todas as etapas da educação básica sugere que o acesso a recursos e oportunidades de aprendizado pode ser drasticamente diferente para os estudantes brasileiros desde os primeiros anos de formação.

Composição das Despesas e o Papel dos Professores

Os gastos em educação são categorizados no relatório em despesas de capital (investimentos em infraestrutura, por exemplo) e despesas correntes, que cobrem os custos operacionais diários. No Brasil, a remuneração de pessoal docente constitui o maior componente das despesas correntes, representando 75% do orçamento operacional no ensino fundamental. Este percentual, embora alto, ainda fica ligeiramente abaixo da média registrada nos países da OCDE, que é de 79%.

A alta proporção de gastos com salários docentes reflete a importância dos professores no sistema educacional. Contudo, o desafio reside em garantir que esses salários sejam competitivos o suficiente para atrair e reter talentos, ao mesmo tempo em que se investe em outros componentes essenciais para a qualidade do ensino, como formação continuada e materiais pedagógicos inovadores.

O Panorama da Educação 2026 e Seus Alcances

O Panorama da Educação 2026 (Education at a Glance 2026) é uma publicação anual da OCDE que oferece uma visão abrangente dos sistemas educacionais em todo o mundo. O documento apresenta dados de 50 países, incluindo todos os membros da OCDE, o Brasil (que é parceiro do programa INES – Indicators of Educational Systems), membros do G20 e países em processo de adesão à organização. Acesse o relatório completo da OCDE para mais detalhes.

Este relatório serve como uma ferramenta vital para formuladores de políticas públicas, pesquisadores e a sociedade civil, permitindo comparações internacionais e a identificação de áreas que necessitam de maior atenção e investimento. Para o Brasil, os dados reforçam a urgência de um debate aprofundado sobre como otimizar os recursos disponíveis e buscar novas fontes de financiamento para a educação, visando equiparar o país aos padrões de qualidade e investimento globais.

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