O mercado financeiro brasileiro encerrou outubro sob forte pressão, combinando uma disparada expressiva da moeda estadunidense e uma queda acentuada na bolsa de valores. Na sexta-feira (30), o câmbio avançou cerca de 1% e fechou cotado perto de R$ 5,45, enquanto o Ibovespa recuou 0,75%, encerrando os negócios aos 167,9 mil pontos. O movimento refletiu um cenário de cautela tanto nos indicadores internos quanto nas praças internacionais.
Ao longo da semana, a moeda acumulou valorização superior a 9%, marcando o maior salto semanal desde a grave crise financeira global de 2008. Em paralelo, o principal índice da B3 registrou a pior retração semanal desde março de 2020, período que coincidiu com o início dos impactos econômicos da pandemia de covid-19. Investidores precisaram lidar com ajustes pesados nas carteiras de ativos.
Repercussão da política fiscal e cenário interno
No plano nacional, o comportamento dos ativos financeiros foi fortemente ditado pelas reações do mercado após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As incertezas em torno dos rumos da política fiscal brasileira e a expectativa pela definição dos nomes que comporão a equipe econômica do próximo governo mantiveram os agentes econômicos em estado de alerta permanente.
A formação da Ptax de fim de mês, taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para a liquidação de contratos futuros de câmbio, também trouxe volatilidade adicional durante a primeira metade do pregão. Além disso, a busca por proteção cambial aumentou devido à proximidade do feriado prolongado de Finados na segunda-feira (2), elevando a demanda pela moeda norte-americana no mercado à vista.
Desempenho da bolsa e fuga de capital estrangeiro
O Ibovespa fechou o último pregão de outubro acumulando o quinto dia consecutivo de perdas. A queda semanal de 18,12% escancarou o nervosismo dos investidores, que já haviam provocado a ativação do mecanismo de circuit breaker na segunda-feira (26), logo após a divulgação do resultado eleitoral que garantiu a reeleição do atual mandatário.
A pressão vendedora foi intensificada pela saída expressiva de recursos estrangeiros do país. Dados levantados pela B3 apontaram uma retirada líquida de quase R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações apenas nos três primeiros pregões do período, evidenciando a cautela externa em relação aos ativos emergentes brasileiros.
Turbulências e cautela nos mercados globais
Enquanto o cenário doméstico exigia atenção redobrada, o ambiente externo também se mostrou desfavorável. Investidores globais demonstraram forte aversão ao risco diante de perdas expressivas registradas por grandes empresas de tecnologia nos Estados Unidos, especialmente em setores ligados ao desenvolvimento de inteligência artificial.
Em Nova York, o índice S&P 500 encerrou a sessão com baixa de 1,82%, refletindo o pessimismo com balanços corporativos e as incertezas persistentes sobre a trajetória dos juros e da inflação nas economias centrais. Esse pano de fundo internacional fortaleceu o dólar em relação a diversas moedas emergentes, potencializando a alta observada no Brasil conforme dados da Agência Brasil.
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