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iFood e Keeta Enfrentam Multa Milionária por Descumprimento de Regras de Transparência da Senacon

© Paulo Pinto/Agência Brasil

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), deu um passo decisivo na regulação das plataformas digitais, anunciando a abertura de processos de aplicação de sanções contra o iFood e a Keeta. O motivo: o descumprimento ostensivo das normas que exigem transparência na composição dos preços cobrados pelos serviços de entrega. A medida, que pode resultar em multas milionárias, reforça o compromisso do governo em garantir clareza nas relações de consumo e trabalho dentro da crescente economia de aplicativos.

No centro da controvérsia está a Portaria nº 61, uma regulamentação que obriga as plataformas a detalhar a estrutura do preço total dos serviços. Isso significa que aplicativos, como iFood e Keeta, devem informar explicitamente quanto da tarifa final é destinado ao próprio aplicativo, quanto vai para o entregador ou motorista, e qual parcela cabe ao estabelecimento comercial parceiro. Essa exigência visa empoderar consumidores, garantir condições mais justas para os trabalhadores e permitir que os restaurantes tenham clareza sobre as taxas aplicadas, que muitas vezes representam um percentual significativo do faturamento.

O Posicionamento Firme do Governo Federal

A decisão de sancionar as empresas foi tornada pública durante uma coletiva de imprensa, onde o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, e o secretário Nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, detalharam a ação. Boulos foi enfático ao criticar a postura das plataformas. "É uma norma prevista no sistema legal brasileiro e que, lamentavelmente, essas duas empresas têm insistido em descumprir, não oferecendo transparência aos trabalhadores e aos consumidores", declarou o ministro, questionando abertamente o que as empresas teriam a esconder ao se recusar a detalhar quanto é retido em taxas, do quanto o entregador está recebendo e do quanto o restaurante tem de retorno.

Morishita, por sua vez, reforçou a obrigatoriedade da medida, destacando que o cumprimento da portaria não é opcional e que princípios de transparência já estão consagrados no Código de Defesa do Consumidor há cerca de 35 anos. Ele ainda mencionou que outras grandes plataformas de transporte por aplicativo, como Uber e 99, já se adequaram às novas regras, evidenciando que a adaptação é possível e que a tecnologia não é um impedimento insuperável. iFood e Keeta terão agora um prazo de 20 dias para responder formalmente e demonstrar o cumprimento das exigências, sob pena de multas sucessivas que podem atingir R$ 14 milhões.

A Batalha pela Transparência na Economia Gig

Esta ação da Senacon transcende a simples aplicação de uma multa. Ela se insere em um contexto maior de discussão sobre a regulamentação do trabalho por plataformas digitais e a proteção do consumidor na chamada "economia gig". Para Guarapuava e tantas outras cidades brasileiras, onde os serviços de delivery se tornaram parte intrínseca do dia a dia de moradores e estabelecimentos, a transparência nos custos é vital. Consumidores querem saber pelo que estão pagando, entregadores buscam remuneração justa e restaurantes precisam entender a real margem de lucro em suas parcerias. A falta de clareza pode gerar desconfiança e relações desequilibradas entre todos os elos dessa cadeia.

O movimento da Senacon não é isolado, mas faz parte de uma série de iniciativas governamentais para trazer mais clareza ao mercado digital. Similarmente, houve a exigência de detalhamento de custos em corridas de aplicativos de transporte de passageiros e fiscalizações em postos de combustíveis. Essas ações refletem uma tendência global de governos buscando mediar as relações de poder entre gigantes da tecnologia e seus usuários/trabalhadores. O objetivo é equilibrar o avanço tecnológico com a necessidade de um ambiente de negócios justo e ético, baseando-se em direitos fundamentais do consumidor e do trabalhador.

O Que Dizem as Plataformas Alvo

Em resposta às acusações, o iFood emitiu uma nota afirmando que está em processo de implementação das adequações necessárias para atender à portaria. A empresa argumentou que o cumprimento "envolve adaptações relevantes na arquitetura de sistemas, ajustes no aplicativo e desenvolvimento de novas funcionalidades e fluxos de informação", sugerindo a complexidade técnica da tarefa. Adicionalmente, o iFood criticou a Senacon pela falta de diálogo prévio com o setor antes da edição da portaria, expressando surpresa com a instauração do processo administrativo, apesar de seus "esforços de diálogo" para encontrar soluções.

No caso da Keeta, a avaliação técnica do governo foi direta: as informações disponibilizadas pela plataforma não identificam de forma clara e individualizada os valores destinados a cada parte envolvida na operação. O órgão de defesa do consumidor refutou a alegação da Keeta de "segredo de negócio" como justificativa para a ausência de transparência, reiterando que o dever de informar é um preceito legal inquestionável e que interesses comerciais não podem se sobrepor aos direitos dos consumidores e trabalhadores à informação clara e acessível, conforme previsto na regulamentação.

Próximos Passos e os Desdobramentos

Com a notificação oficial, iFood e Keeta têm agora um prazo de 20 dias para apresentar suas defesas e comprovar que se adequaram às exigências da Portaria nº 61. Caso as plataformas não consigam demonstrar o cumprimento efetivo, elas estarão sujeitas a multas que, de acordo com a legislação, podem chegar a R$ 14 milhões, além de outras sanções administrativas. Este é um momento crucial, onde a resposta das empresas determinará não apenas o desfecho desses processos, mas também poderá influenciar futuras regulamentações no setor de delivery, elevando o padrão de exigência para todas as plataformas.

A decisão da Senacon envia uma mensagem clara ao mercado de plataformas digitais: a autorregulação tem seus limites e a fiscalização pública será cada vez mais presente para garantir a conformidade com as leis brasileiras. O desdobramento deste caso terá implicações significativas para a forma como consumidores e trabalhadores interagem com esses serviços, potencialmente redefinindo padrões de transparência e responsabilidade em toda a economia digital. A expectativa é que este movimento impulsione uma maior clareza e justiça nas relações estabelecidas pelos aplicativos em todo o país.

A busca por transparência nos serviços de entrega por aplicativo é uma pauta de crescente importância, com implicações diretas para a economia local e o dia a dia dos cidadãos de Guarapuava. O desenrolar do processo contra iFood e Keeta será um termômetro para a efetividade da regulação em plataformas digitais e sua capacidade de proteger os direitos de todos os envolvidos. Continue acompanhando o Guarapuava no Radar para ficar por dentro deste e de outros temas relevantes que afetam a nossa comunidade, desde a economia e política até cultura e segurança. Nosso compromisso é trazer informação de qualidade, aprofundada e contextualizada para você.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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