Muito antes da criação oficial da Diocese de Guarapuava, em 1965, a fé católica já percorria os Campos de Guarapuava por meio das antigas freguesias, das pequenas capelas espalhadas pelo interior e do trabalho missionário de sacerdotes e religiosos que enfrentavam enormes distâncias para levar os sacramentos e a evangelização ao povo.
Conforme registros históricos apresentados no livro A Igreja em Guarapuava, da historiadora Gracita Gruber Marcondes, a presença organizada da Igreja Católica na região remonta ao início do século XIX. A antiga capela curada de Nossa Senhora de Belém, origem da atual Catedral de Guarapuava, já aparece ligada ao ano de 1809, período em que começava a consolidação da ocupação dos campos de Guarapuava.

Na época, a região ainda pertencia à Diocese de São Paulo e, posteriormente, passou à Diocese de Curitiba. Muito antes da criação oficial da Diocese de Guarapuava, em 1965, a fé católica já percorria os Campos de Guarapuava por meio das antigas freguesias, das pequenas capelas espalhadas pelo interior e do trabalho missionário de sacerdotes e religiosos que enfrentavam enormes distâncias para levar os sacramentos e a evangelização ao povo.
A organização eclesiástica crescia junto com o desenvolvimento das comunidades e o avanço populacional do interior paranaense. Quando foi criada a Diocese de Curitiba, a então Comarca Eclesiástica de Guarapuava compreendia duas paróquias e três freguesias civis: Paróquia Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava; Paróquia Senhor Bom Jesus, em Palmas; além das freguesias de Santa Thereza (hoje parte de Cândido de Abreu), Nossa Senhora das Vitórias (União da Vitória) e Boa Vista (Palmas).
Em 10 de maio de 1926, por meio da bula Quum in dies numerus, do Papa Pio XI, foi criada a Diocese de Ponta Grossa, à qual passou a pertencer grande parte da região que décadas depois formaria a Diocese de Guarapuava. Entre as paróquias existentes já figurava Nossa Senhora de Belém, em Guarapuava, ao lado de importantes centros religiosos como Castro, Palmas, Prudentópolis e Cruz Machado.
Em visita pastoral realizada em 1940, Dom Antônio Mazzarotto, bispo de Ponta Grossa, já registrava as dificuldades enfrentadas pela Igreja na região. O bispo descrevia a vastidão territorial da paróquia de Guarapuava, o grande número de comunidades rurais e o esforço missionário dos sacerdotes que percorriam os bairros e capelas em longas jornadas. Em seus registros, também destacava a necessidade de ampliar a catequese e a formação religiosa do povo.

Enquanto a população crescia, aumentava também a necessidade de uma estrutura eclesial mais próxima da realidade do interior do Paraná. Ao longo das décadas, a região de Guarapuava tornou-se uma das mais extensas e populosas áreas pastorais do Estado.
Quando a Diocese de Guarapuava foi criada, em 1965, o território abrangia aproximadamente 29 mil quilômetros quadrados — área superior à de alguns países — reunindo cerca de 400 mil habitantes, distribuídos em 18 paróquias e aproximadamente 250 capelas.
A nova Diocese nasceu a partir do desmembramento de territórios das dioceses de Ponta Grossa, Campo Mourão e Toledo. Da Diocese de Ponta Grossa vieram os municípios de Guarapuava, Cândido de Abreu, Cruz Machado, Inácio Martins, Pinhão e Prudentópolis. Da Diocese de Campo Mourão vieram Manoel Ribas, Pitanga e Palmital. Já da Diocese de Toledo veio o município de Laranjeiras do Sul.
A criação oficial aconteceu em 16 de dezembro de 1965, quando o Papa Paulo VI assinou a bula Christi Vices, instituindo a Diocese de Guarapuava. O documento pontifício estabelecia que a Sé Episcopal ficaria em Guarapuava e elevava a então Igreja Matriz Nossa Senhora de Belém à condição de Catedral. A bula também demonstrava a preocupação da Igreja com a formação vocacional, determinando que o novo bispo providenciasse “quanto antes” a criação do seminário diocesano.
Poucos meses depois, em março de 1966, o Papa Paulo VI nomeou Dom Frederico Helmel como primeiro bispo da nova Diocese. Missionário da Congregação do Verbo Divino, Dom Frederico recebeu a missão de organizar pastoralmente a nova Igreja Particular em um território vasto, marcado por grandes distâncias e escassez de sacerdotes. Naquele momento, a nova Diocese contava com apenas quatro padres seculares e 27 religiosos do clero regular, praticamente todos estrangeiros, evidenciando o forte caráter missionário da Igreja na região.
Finalmente, em 26 de junho de 1966, a Diocese de Guarapuava foi oficialmente instalada. A data tornou-se o marco histórico celebrado atualmente no Jubileu dos 60 anos da Diocese, recordando não apenas a criação institucional da Igreja Particular, mas toda uma longa caminhada de fé iniciada muito antes, ainda nos tempos das antigas capelas, das comunidades rurais e dos missionários que percorriam os caminhos dos Campos de Guarapuava levando o Evangelho ao povo.
Paróquias da diocese anteriores à instalação
- Guarapuava – Paróquia e Catedral Nossa Senhora de Belém (11/11/1818)
- Guarapuava – Paróquia Santa Terezinha (14/02/1960)
- Guarapuava – Paróquia Santa Cruz e Nossa Senhora das Dores (01/05/1964)
- Prudentópolis – Paróquia São João Batista (07/09/1906)
- Pinhão – Paróquia Divino Espírito Santo (20/01/1951)
- Distrito de Entre Rios – Guarapuava – Paróquia São Miguel Arcanjo (22/03/1964)
- Foz do Jordão – Paróquia São Pedro Apóstolo (01/05/1964)
- Pitanga – Paróquia Sant’Ana e São Joaquim (15/12/1933)
- Manoel Ribas – Paróquia Santo Antônio (25/09/1951)
- Palmital – Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição (12/03/1953)
- Barra de Santa Salete – Manoel Ribas – Paróquia Nossa Senhora da Salete (08/12/1955)
- Cândido de Abreu – Paróquia Senhor Bom Jesus (08/12/1964)
- Laranjeiras do Sul – Paróquia Sant’Ana (24/11/1933)
- Virmond – Paróquia Nossa Senhora do Monte Claro (15/08/1951)
- Marquinho – Paróquia Imaculado Coração de Maria (01/04/1954)
- Quedas do Iguaçu – Paróquia Imaculado Coração de Maria (01/10/1954)
*Na época da instalação da diocese os municípios de Quedas do Iguaçu, Virmond, Marquinho e Foz do Jordão ainda não haviam sido emancipados
Fonte: https://diopuava.org