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Dívida bancária do Rio de Janeiro atinge R$ 26 bilhões: estado busca reestruturação de débitos

© Gil Ferreira/Agência CNJ

O governo do Rio de Janeiro enfrenta um desafio fiscal de vulto, com uma dívida que atinge a marca de R$ 26 bilhões junto a instituições financeiras. O montante foi revelado nesta terça-feira (18) pelo governador em exercício, Ricardo Couto, durante uma agenda em Brasília. Após um encontro crucial com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, Couto detalhou a estratégia do estado: buscar uma reestruturação profunda desses débitos. O objetivo é claro – reduzir o custo financeiro exorbitante e, finalmente, reorganizar as contas públicas estaduais, um passo fundamental para a estabilidade e a capacidade de investimento do Rio de Janeiro.

A negociação em curso, conforme explicou o governador, vai além da simples adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que já trata dos débitos estaduais com a União. A nova frente de trabalho foca especificamente nas obrigações financeiras contraídas com bancos e outras entidades do setor privado. Este movimento sinaliza uma abordagem mais abrangente para sanear as finanças do estado, reconhecendo que a saúde fiscal depende tanto da relação com o governo federal quanto com o mercado.

Um Histórico de Crises e a Busca por Alívio Financeiro

A situação do Rio de Janeiro com suas dívidas não é um fenômeno recente. O estado, historicamente, tem enfrentado severas crises fiscais, marcadas por flutuações na arrecadação de royalties do petróleo, gastos públicos elevados e uma complexa estrutura de financiamento. Desde 2016, a União já arcou com aproximadamente R$ 47 bilhões em dívidas do Rio de Janeiro que o próprio estado não conseguiu quitar, evidenciando a dependência de auxílio federal para manter suas operações básicas. Este pano de fundo de fragilidade fiscal torna a atual busca por reestruturação não apenas desejável, mas imperativa para a sustentabilidade de longo prazo.

A renegociação com os credores bancários visa principalmente obter condições financeiras mais favoráveis. O governador Couto expressou o desejo de um “reescalonamento desse débito com juros menores”. A receptividade da União, que tem “olhado de forma muito positiva” para essa iniciativa, pode ser um fator decisivo. A intenção é aliviar a carga do serviço da dívida, liberando recursos que poderiam ser direcionados para áreas essenciais como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura, impactando diretamente a qualidade de vida dos cidadãos fluminenses.

Negociação com a União: um Precedente Importante

Paralelamente à complexa negociação com os bancos, o Rio de Janeiro já avançou significativamente na renegociação de sua dívida com a União. Em maio, o estado obteve autorização para aderir ao Propag, um programa desenhado para oferecer um alívio fiscal substancial aos estados endividados. A formalização da adesão, ocorrida em junho, resultou em uma redução impressionante da dívida do Rio com o governo federal, que caiu de R$ 210 bilhões para R$ 168,5 bilhões. Essa diminuição foi acompanhada de contrapartidas por parte do estado, demonstrando um compromisso com a responsabilidade fiscal.

As condições do Propag foram particularmente vantajosas. As parcelas mensais, antes de R$ 436 milhões, foram drasticamente reduzidas para R$ 119 milhões, representando uma folga considerável no caixa estadual. O prazo de pagamento foi estendido até 2056, e os juros reais foram eliminados, com a dívida passando a ser corrigida apenas pela inflação, medida pelo IPCA. Essas mudanças geraram um fôlego financeiro que agora o estado busca replicar na esfera de sua dívida bancária, visando uma “reestruturação total da dívida do estado”, conforme pontuou Couto.

Sem Novas Garantias do Tesouro

Um ponto crucial das discussões é a necessidade de novas garantias do Tesouro Nacional para viabilizar essa operação de reestruturação. Ricardo Couto esclareceu que o Tesouro não precisará oferecer uma nova garantia, indicando que a negociação se concentra em “formatos de realocação das dívidas”. Isso sugere que as conversas exploram modelos de engenharia financeira que não impliquem em maior exposição do governo federal a riscos adicionais, mas sim em reorganização dos passivos existentes. Além disso, o governador mencionou a intenção de buscar o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) nas próximas etapas, um player fundamental no financiamento de projetos e reestruturações no país.

Contrapartidas e Desafios Fiscais Ampliados

Para usufruir das condições favoráveis do Propag, o Rio de Janeiro comprometeu-se a reduzir 20% do valor total devido à União. Como parte desse acordo, recursos que seriam destinados ao estado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional (FNDR) permanecerão com o governo federal até 2048. Além disso, o estado deverá investir 1% do saldo devedor em áreas prioritárias como educação, infraestrutura e segurança, solidificando um plano de recuperação que exige disciplina fiscal e investimentos estratégicos.

Em meio a essas discussões, a questão da refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, e suas dívidas bilionárias não foi abordada explicitamente na reunião, segundo o governador. No entanto, o caso da Refit – apontada pela Receita Federal como a maior devedora contumaz do Brasil, com débitos tributários superiores a R$ 26 bilhões com a União e os estados – serve como um lembrete vívido dos múltiplos desafios que impactam a arrecadação pública. A empresa tem sido alvo de investigações por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e uso de empresas-espelho, um cenário que ilustra a complexidade da recuperação fiscal em um contexto de evasão e irregularidades que afetam os cofres públicos em diferentes níveis federativos.

A agenda do ministro Dario Durigan, que cancelou outros compromissos para se reunir com Ricardo Couto, sublinha a relevância estratégica que o governo federal atribui à recuperação fiscal do Rio de Janeiro. A reestruturação da dívida bancária, somada aos avanços com a União, representa um esforço monumental para colocar o estado em uma trajetória de sustentabilidade financeira. Os desdobramentos dessas negociações serão cruciais não apenas para o Rio, mas para a compreensão do panorama fiscal e econômico do Brasil, servindo de termômetro para a capacidade de estados e União de gerir suas contas em um ambiente de constante demanda por serviços públicos.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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