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Dólar sobe e fecha acima de R$ 5,22 em dia de tensão global e alta do petróleo

Dólar sobe e fecha acima de R$ 5,22 em dia de tensão global e alta do petróleo
© Rafa Neddermeyer/ Agência Brasil

O mercado financeiro brasileiro iniciou o mês de outubro sob forte influência do cenário geopolítico internacional. Nesta quinta-feira (1º), o dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 5,224, registrando uma valorização de 0,97%. O movimento reflete a aversão ao risco por parte dos investidores, que reagiram com cautela ao agravamento das tensões no Oriente Médio e à disparada dos preços das commodities energéticas.

A moeda norte-americana, que chegou a ser negociada a R$ 5,169 na mínima do dia, ganhou tração ao longo da tarde, atingindo o pico de R$ 5,240. O comportamento do câmbio no Brasil acompanhou a tendência global de fortalecimento do dólar frente a uma cesta de moedas fortes, evidenciada pela alta do índice DXY, que reflete a busca por ativos considerados mais seguros em momentos de incerteza econômica.

Impacto da crise geopolítica no câmbio e na inflação

O principal motor da instabilidade nos mercados globais é o conflito no Oriente Médio. A movimentação de forças militares dos Estados Unidos na região e as novas incertezas envolvendo o Irã elevaram o temor de interrupções no fornecimento de energia. Esse cenário pressiona o preço do petróleo, que disparou nas bolsas internacionais, trazendo de volta o fantasma da inflação global e forçando investidores a repensarem suas estratégias de alocação de capital.

A valorização do barril de petróleo, que fechou em US$ 102,31 para o tipo Brent (+4,37%) e US$ 92,87 para o WTI (+2,71%), atua como um complicador para as expectativas de juros nos Estados Unidos. O mercado monitora de perto como a inflação, impulsionada pelos custos energéticos, pode influenciar as decisões de política monetária do Federal Reserve, o banco central norte-americano, impactando diretamente a atratividade de moedas emergentes como o real.

Desempenho da bolsa e o peso da Petrobras

Apesar do clima de cautela, o Ibovespa conseguiu encerrar o pregão em terreno positivo, com alta de 0,46%, alcançando 187.197,46 pontos. O desempenho da bolsa brasileira foi sustentado, em grande parte, pelo peso das ações da Petrobras no índice. A valorização expressiva do petróleo no mercado internacional favoreceu os papéis da estatal, que atraíram investidores mesmo em um dia marcado pela proximidade do primeiro turno das eleições no Brasil.

O volume financeiro movimentado na sessão atingiu R$ 26 bilhões, sinalizando que, apesar da volatilidade, o mercado mantém um nível considerável de liquidez. O índice, que acumulou alta de 5% ao longo de setembro, segue com uma valorização de 16,2% no acumulado do ano, demonstrando resiliência frente aos choques externos e às incertezas domésticas.

Cenário de incertezas e oferta global

Além das tensões militares, o mercado de energia enfrenta desafios logísticos e de oferta. A possibilidade de a União Europeia liberar estoques de diesel para mitigar a escassez de combustível e a decisão da China de suspender exportações de derivados de petróleo para destinos fora de Hong Kong e Macau adicionaram camadas de complexidade à precificação dos ativos. Essas medidas são observadas com lupa por analistas, que buscam entender o impacto real dessas restrições na oferta global de combustíveis.

Para o investidor, o momento exige atenção redobrada aos desdobramentos internacionais. A Agência Brasil destaca que a volatilidade deve persistir enquanto não houver clareza sobre o desenrolar dos conflitos no Oriente Médio. O Guarapuava no Radar segue acompanhando os principais indicadores econômicos e os fatos que impactam o bolso dos brasileiros, trazendo diariamente uma análise contextualizada e transparente sobre o mercado financeiro e a economia nacional.

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