Às vésperas do pontapé inicial da Copa do Mundo de 2026, sediada em Canadá, México e Estados Unidos, a expectativa em torno do Grupo G cresce. Considerado um dos mais equilibrados do torneio, ele reúne a Bélgica, encabeçando a chave e vivendo um processo de renovação; o Egito, com seu astro Mohamed Salah em busca de um feito inédito; o Irã, marcado por sua resiliência e a presença constante no cenário mundial; e a Nova Zelândia, que retorna ao palco principal após um hiato de 16 anos. Este grupo promete uma disputa acirrada, com cada seleção trazendo narrativas e desafios únicos para a competição.
Bélgica: Entre o Legado Dourado e a Renovação Necessária
A seleção belga, que já foi rotulada como uma 'geração de ouro' nos últimos anos, chega a esta Copa do Mundo em um momento de transição. Embora ainda conte com pilares experientes como Romelu Lukaku, Kevin De Bruyne e Thibaut Courtois – jogadores que brilharam ao eliminar o Brasil nas quartas de final em 2018 e alcançar o terceiro lugar na Rússia –, o técnico francês Rudi Garcia tem a missão de integrar uma safra promissora de jovens talentos. Nomes como os atacantes Jeremy Doku (Manchester City), Charles De Ketelaere (Atalanta) e Leandro Trossard (Arsenal) representam o futuro, mas também a urgência de manter o nível competitivo em um torneio tão exigente. A Bélgica disputará sua 15ª Copa, tendo assegurado sua vaga com a liderança incontestável do Grupo J nas Eliminatórias Europeias.
A pressão sobre os Diabos Vermelhos é palpável. Após anos de grande expectativa e resultados expressivos, mas sem a tão sonhada taça, a mescla entre a experiência de jogadores no auge e a irreverência dos mais novos será crucial. A capacidade de Garcia em forjar um time coeso e que resista às adversidades de um Mundial definirá se a Bélgica conseguirá, finalmente, ir além das semifinais e lutar pelo título, ou se a transição será mais dolorosa do que o esperado. A performance dos veteranos, aliada à explosão dos jovens, será um dos enredos mais fascinantes a acompanhar no Grupo G.
Egito: O Peso de Salah e a Busca por um Marco Histórico
A volta do Egito à Copa do Mundo, após ficar de fora da edição de 2018 no Catar, é um dos destaques do Grupo G. Semifinalista da Copa Africana das Nações no ano passado, a equipe deposita suas maiores esperanças no atacante Mohamed Salah. O jogador, que recentemente encerrou uma gloriosa passagem de nove anos pelo Liverpool, chega ao Mundial aos 33 anos como o principal articulador e finalizador dos Faraós. Sob o comando do lendário ex-jogador Hossam Hassan, maior artilheiro da história da seleção egípcia com 69 gols, o time tem um objetivo claro e desafiador: superar a fase de grupos pela primeira vez em sua história, após cair nesta etapa em suas três participações anteriores (1934, 1990 e 2018).
A presença de Salah não apenas eleva o patamar técnico do Egito, mas também galvaniza a torcida e impulsiona seus companheiros. Jogadores como o atacante Omar Marmoush (Manchester City), o meio-campista Mahmoud Trezeguet e o goleiro Mohamed El Shenawy (ambos do Al-Ahly) complementam um elenco que, embora dependa muito de sua estrela, busca provar seu valor coletivo. A trajetória de Hassan como técnico, que assumiu a equipe há pouco mais de dois anos, está intimamente ligada a essa ambição. Uma classificação ao mata-mata seria um feito histórico para o futebol egípcio, reescrevendo a narrativa de suas participações em Mundiais e consolidando a influência de uma geração liderada por um de seus maiores ídolos.
Irã: Futebol e Geopolítica em um Palco Global
A participação do Irã nesta Copa do Mundo, a sétima de sua história e a quarta consecutiva, é novamente atravessada por questões geopolíticas. Em meio a incertezas e tensões internacionais, a delegação iraniana optou por uma mudança de local de hospedagem, movendo-se do Arizona (EUA) para Tijuana, no México, após autorização da Fifa. Embora as partidas da primeira fase permaneçam programadas para cidades norte-americanas como Los Angeles e Seattle, essa decisão sublinha a complexidade de conciliar o esporte de alto nível com um cenário global de relações internacionais delicadas. A equipe Team Melli (Time Nacional), como é conhecida, demonstra uma notável resiliência ao se manter focada no futebol apesar das pressões externas.
Comandado desde 2023 por Amir Ghalenoei, que levou o time às semifinais da Copa da Ásia no mesmo ano, o Irã chega com a confiança de uma campanha sólida nas Eliminatórias Asiáticas, onde perdeu apenas um de 16 jogos. O atacante Mehdi Taremi, do Olympiacos, com 33 anos e o segundo maior artilheiro da seleção, é a principal referência ofensiva e uma peça-chave para as aspirações iranianas. A presença do Irã no Mundial não é apenas sobre o jogo em campo; é também um símbolo da persistência e da paixão pelo futebol de uma nação que, repetidamente, se vê diante da difícil tarefa de separar o esporte das questões políticas. O desempenho do Team Melli será acompanhado de perto, não apenas por seus torcedores, mas por uma audiência global atenta aos entrelaçamentos entre esporte e sociedade.
Nova Zelândia: Os All Whites e o Espírito de Superação na Copa
Fechando o Grupo G, a Nova Zelândia, conhecida como All Whites (em referência ao seu uniforme branco), marca sua terceira participação em Copas do Mundo, retornando após as edições de 1982 e 2010. Sua classificação foi construída com autoridade nas Eliminatórias da Oceania, onde conquistou cinco vitórias em cinco jogos, muitas delas com placares elásticos. Sob a liderança do técnico Darren Bazeley, que assumiu o comando principal em 2023 após anos nas categorias de base, a equipe busca superar as expectativas e fazer uma campanha memorável em um grupo com adversários de peso.
O jogador mais conhecido e capitão da equipe é o atacante Chris Wood, de 34 anos, que atua pelo Nottingham Forest, da Inglaterra. Sua experiência em um dos campeonatos mais competitivos do mundo e seus nove gols nas eliminatórias serão cruciais para a Nova Zelândia. A presença dos All Whites na Copa do Mundo é um testemunho da universalidade do futebol e da oportunidade que o torneio oferece a seleções de continentes com menos tradição no esporte. Eles trazem ao Grupo G um espírito de luta e a chance de surpreender, adicionando uma camada de imprevisibilidade a uma chave já promissora.
O Grupo G da Copa do Mundo de 2026 está configurado para ser um caldeirão de emoções e narrativas. Da transição belga à ambição egípcia de Salah, passando pela resiliência iraniana e o espírito de superação da Nova Zelândia, cada partida será um capítulo à parte na busca pela glória. Acompanhar este grupo significa mergulhar em histórias de talento, superação e, por vezes, a complexa intersecção entre esporte e mundo. Fique ligado no Guarapuava no Radar para a cobertura mais completa e contextualizada deste e de outros grupos, com análises aprofundadas, notícias atualizadas e tudo o que você precisa saber sobre o Mundial. Nosso compromisso é levar a você informação de qualidade e relevante, mantendo-o sempre à frente no universo do esporte.